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Manifestantes desafiam proibição e voltam a protestar em Hong Kong

Polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar passeata nos arredores do Parlamento e da sede do governo

Milhares de pessoas saíram neste sábado às ruas de Hong Kong, desafiando a proibição de manifestações imposta pelas autoridades. Este é o décimo terceiro fim de semana seguido de protestos contra o governo chinês.  As ações ocorrem um dia depois da prisão de nove parlamentares e ativistas que participaram das manifestações pró-democracia contra um projeto de lei que permitiria extradição de investigados criminais para a China.

A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água de cor azul contra militantes para tentar dispersar uma passeata nos arredores do Parlamento e da sede do governo, onde uma multidão usando capacetes de máscaras de gás se reuniu e derrubou as grades. Alguns manifestantes jogaram pedras, coquetéis molotov e tijolos contra as forças de segurança.

A polícia justificou a decisão de proibir protestos citando os confrontos ocorridos no último domingo, um dos episódios mais graves desde o início dos atos em junho. Hoje, enquanto os confrontos ocorriam perto da sede do governo, milhares de outros manifestantes continuavam uma passeata que tomou os distritos financeiros e governamentais de Hong Kong.

A marcha foi convocada para marcar o quinto aniversário da decisão do governo da China contra eleições democráticas, o que desencadeou em 2014 os protestos pró-democracia da chamada Revolução dos Guarda-Chuvas.

A polícia não deu autorização, mas os manifestantes se reuniram mesmo assim em aglomerações disfarçadas de “procissões religiosas”, uma vez que esse tipo de evento normalmente não necessita de autorização policial, segundo a legislação local.

Os manifestantes, em em sua maioria jovens vestidos de preto, tomaram as principais ruas e cruzamentos da região central de Hong Kong. Alguns chegaram a entoar cânticos religiosos. “Em Hong Kong há liberdade religiosa”, afirmou uma manifestante cristã. “Rezamos para que a justiça chegue a Hong Kong. Se eles nos perseguirem por causa de nossas preces, eles violam nossa liberdade religiosa”, disse um homem.

Em 1997, o Reino Unido devolveu o território para a China, que deu garantias de que Hong Kong seria administrada de acordo com o princípio batizado de “um país, dois sistemas”, pelo qual a cidade manteria autonomia em quase todos os aspectos – exceto em temas de política externa e defesa – durante 50 anos.

Entre os presos ontem, estavam Joshua Wong e Agnes Chow, considerados mentores das manifestações em massa que se intensificaram em meados de junho e geraram a maior crise política em Hong Kong em duas décadas. Wong foi o ícone dos protestos pró-democracia de cinco anos atrás.

(Com agências)