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Macapá: Eleição adiada por apagão e ameaças têm reclamações de candidatos

TRE-AP remarcou o pleito para os dias 13 e 27 de dezembro, mas os políticos que disputam o cargo peticionaram mudança para 29 de novembro e 13 de dezembro

Por Luisa Purchio 14 nov 2020, 17h28

Em coletiva de imprensa realizada nesse sábado 14, o desembargador Rommel Araújo de Oliveira, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), afirmou que as eleições no município foram canceladas devido a suspeitas de que facções criminosas poderiam colocar a integridade física da população em risco, baseadas em ameaças feitas pelas redes sociais. O primeiro e o segundo turno estavam marcados para o dia 15 e o dia 29 de novembro, e foram modificados para os dias 13 e 27 de dezembro. Dessa forma, contingentes policiais de outros municípios poderão ser enviados para Macapá na data. “Tivemos uma série de movimentos, alguns legítimos de insatisfação da população, mas outros com aproveitamento de facções criminosas, no sentido de causar uma instabilidade nos meios sociais perto de um pleito”. De acordo com ele, a Polícia Militar do Estado do Amapá, que é responsável pela segurança da votação em todos os pleitos, “sofreu uma baixa muito grande de policiais decorrente de Covid-19. Por isso um número expressivo de policiais não poderia estar mais participando das eleições no dia 15”.

No mesmo horário da entrevista concedida pelo TRE, nove dos 10 candidatos à prefeitura realizaram uma entrevista coletiva na qual questionaram o fato de o adiamento da eleição ter ocorrido sem consultar os partidos. Eles assinaram uma petição solicitando que o pleito se realize entre os dias 29 de novembro e 13 dezembro. Dos dez candidatos, sete estiveram presentes na coletiva, entre eles Capi (PSB), Dr. Furlan (Cidadania), Guaracy (PSL), Patrícia Ferraz (Podemos), Haroldo Iram (PTC), Professor Marcos (PT) e Lorena Quintas, vice do candidato Paulo Lemos (PSOL). Somente Cirilo Fernandes (PRTB) não esteve na coletiva e não se pronunciou. Apesar de não ter participado, Gianfranco, do PSTU, disse que vai assinar a petição, e Josiel (DEM) alegou que não ficou sabendo da coletiva, mas que vai assinar o documento.

Rommel de Oliveira, presidente do TRE-AP, informou que o próprio coronel da inteligência do exército recomendou o adiamento das eleições e que o efetivo no estado do Amapá não seria suficiente para a segurança da população. Para isso, seria necessário trazer o efetivo do estado do Amazonas, uma alternativa inviável. “Por conta do deslocamento através de avião da FAB, nem sempre é possível fazer esse deslocamento assim, nem pelo avião você consegue chegar em Macapá. É necessário todo um planejamento e esse planejamento poderia não dar certo e a população continuaria vulnerável”, disse ele.

Há 12 dias com instabilidades energéticas após um incêndio que atingiu 13 cidades do Amapá, o presidente do TRE-AP garantiu que o apagão não seria um motivo forte o suficiente por si só para cancelar as eleições. Segundo ele, o Ministério das Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informaram ao TRE que haveria regularidade de 100% de energia em todo o interior do estado, e na faixa de 60% a 80% de energia na capital e em Santana, município vizinho e segundo maior colégio eleitoral.  “Estive com o governador e vi que a possibilidade de eleição no dia 15 era certa”, disse ele. O incêndio é mais uma pergunta ainda sem respostas que envolve a eleição no município.

Muitas perguntas permanecem sem respostas nas eleições municipais de Macapá, como o incêndio que deixou 13 das 16 cidades do estado sem energia. Um laudo divulgado na quarta-feira 11 pela Polícia Civil mostrou que ele não foi causado por um raio, como achavam anteriormente, mas que começou em uma bucha. Além disso, na quinta-feira 12, Davi Alcolumbre, senador do DEM pelo Amapá e presidente do Senado, afirmou que seu irmão Josiel Alcolumbre teria ganhado o primeiro turno se não fosse pelo problema energético. “Se tem alguém que foi prejudicado desde o dia do acontecimento chama-se o candidato Josiel, porque está sendo agredido por todos os outros candidatos”, disse. O candidato estava com 35% nas pesquisas de intenção de voto antes do apagão e caiu para 26% de acordo com pesquisa do Ibope divulgada da quarta-feira, 11, o que beneficiou os opositores. De acordo com a pesquisa, ele é seguido por Patrícia (18%), Dr. Furlan (17%), Capiberibe (13%), Guaracy (8%), Curuki Fernandes (7%) e Paulo Lemos (5%).

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