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Estudo inédito comprova eficácia de novo tratamento para doenças cardíacas

Pesquisa do HCor e da SOCESP mostrou que o anticoagulante Rivaroxabana é seguro e eficaz para pacientes com fibrilação atrial e doença cardíaca valvar

Por Giulia Vidale Atualizado em 16 nov 2020, 16h07 - Publicado em 14 nov 2020, 16h01

O anticoagulante Rivaroxabana é uma opção segura, eficaz e com menor riscos aos pacientes com fibrilação atrial e doença cardíaca valvar do que a Varfarina, de acordo com um estudo publicado neste sábado, 14, no renomado periódico científico The New England Journal of Medicine. A pesquisa inédita liderada por especialistas do HCor e da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) reconhece uma nova opção de tratamento para essas doenças, que têm como maior consequência o aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC).

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam 1.005 pacientes, de 49 centros médicos, com doença valvar – que fazem uso de prótese biológica (produzida a partir do tecido de porco ou boi) – e fibrilação atrial. O estudo dividiu os participantes aleatoriamente em dois grupos: o primeiro, designado ao uso de Rivaroxabana, e o segundo, que manteve o tratamento clínico padrão com Varfarina. Ambos foram acompanhados durante 12 meses.

Os resultados mostraram que o anticoagulante Rivaroxabana se mostrou tão eficaz e seguro quanto a Varfarina, medicação de referência no tratamento, além de proporcionar mais comodidade e qualidade de vida aos pacientes por reduzir as consultas de monitoramento frequente e ter menos interações medicamentosas ou com alimentos.

A conclusão pode mudar o protocolo utilizado internacionalmente para tratar quem precisa se submeter à cirurgia de troca de valva para corrigir disfunções no coração. “Estudos de não-inferioridade são desenvolvidos com o objetivo de determinar se um novo tratamento ou procedimento preserva a eficácia e segurança de outro já estabelecido”, explica Alexandre Biasi, superintendente do Instituto de Pesquisa do HCor (IP-HCor).

Fibrilação atrial e doença cardíaca valvar

A fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia cardíaca e decorre da irregularidade da transmissão dos impulsos elétricos que coordenam as batidas do coração. Por causa disso, os átrios, localizados na parte superior do músculo cardíaco, se contraem de forma irregular e o número de batidas por minuto pode aumentar de repente. A fibrilação provoca má circulação sanguínea e os anticoagulantes são prescritos para evitar o risco de AVC e até infarto.

Já a doença cardíaca valvar ocorre quando uma das quatro válvulas do coração, que são responsáveis por manter o fluxo de sangue na direção adequada, não funciona normalmente. Para corrigir esse problema, o paciente passa por uma cirurgia de reparação ou mesmo para implantar uma válvula mecânica (de metal) ou biológica.

A estimativa é de que 300.000 válvulas sejam implantadas a cada ano. No Brasil, o quadro representa uma das principais causas de hospitalização devido a problemas cardíacos. “A associação entre o implante e o risco maior de eventos trombóticos faz com que o uso de anticoagulantes orais seja indicado a longo prazo, ou até pelo resto da vida”, explica Otávio Berwanger, coordenador de estudos populacionais da Socesp.

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