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Líder do PCC, Marcola é condenado a 30 anos de prisão

Nova sentença da Justiça contra ele é baseada na Operação Ethos, que descobriu como a facção cooptava advogados para formar um 'núcleo jurídico'

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 22 fev 2018, 14h20 - Publicado em 21 fev 2018, 17h26

O líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, recebeu nesta quarta-feira, 21, mais uma condenação da Justiça. A nova sentença se deu no âmbito da Operação Ethos, que mostrou que o PCC havia montado um núcleo jurídico para atuar em seu favor. Marcola e Cleber Marcelino Dias dos Santos, o Clebinho, apontado como integrante da Sintonia Final Geral, a cúpula da facção, foram condenados, cada um, a penas de 30 anos de prisão por integrar e liderar organização criminosa armada, além de cometerem o crime de corrupção ativa.

Marcola está preso na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Ele passou um ano em Regime Disciplina Diferenciado (RDD), o mais rígido regime de cumprimento de pena, justamente em razão das acusações feitas contra ele a partir das investigações da Ethos feitas pela Polícia Civil de Presidente Venceslau.

Tanto ele quanto quanto Clebinho deverão aguardar presos o trâmite de recursos. “As circunstâncias judiciais foram desfavoráveis aos réus que integraram organização criminosa notoriamente perigosa, que faz uso intenso de armas, causando pânico em todo o país, fazendo do narcotráfico sua fonte de renda, além de roubos com emprego de armamento pesado”, escreveu na sentença o juiz da 1ª Vara de Presidente Venceslau, Gabriel Medeiros.

“(Eles) estenderam tentáculos para o seio do Poder Público, agredindo valores substanciosos e caríssimos a toda sociedade brasileira, adentrando em organismos e entidades vocacionadas para a proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana. Não se trata de juízo abstrato, mas sim algo que permeia os noticiários da mídia nacional há anos, além do que amparado pelas provas colacionadas”, acrescentou o magistrado.

As penas dos condenados foram aumentadas por eles terem cooptado um integrante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos, para atuar em favor do PCC. A investigação apontou que Santos, condenado a 16 anos, dois meses e cinco dias de prisão em junho de 2017, recebia uma mesada de 5.000 reais da facção criminosa. O objetivo da relação com o conselheiro do Condepe era plantar denúncias de violação de direitos humanos, desestabilizando a segurança e o sistema penitenciário paulista.

A facção, segundo os investigadores, teria o intuito de capturar a área de proteção aos direitos humanos, cooptando advogados para formar a “célula R” da organização criminosa. “Esta célula tinha a função de comandar um esquema de pagamentos de propinas a agentes públicos ou integrantes do Condepe”, acusou o Ministério Público.

O processo contra mais de 30 pessoas, entre advogados e detentos, foi desmembrado. Anteriormente, 17 pessoas já haviam sido condenadas. Na ação contra Marcola, a Justiça também considerou culpado Paulo Roberto Penha e absolveu o réu Márcio Domingos Ramos.

Leia também: PCC S/A: a gestão empresarial do crime organizado

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