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Governo romeno faz concessão a manifestantes para acabar com protestos

Após cinco dias de manifestações em toda a Romênia, desencadeadas pela demissão forçada do fundador dos serviços de emergência, o governo de centro-direita quis acalmar a situação, na terça-feira, reintegrando no ministério da Saúde a este médico muito respeitado.

O médico Raed Arafat “voltará ao seu posto de vice-secretário de Estado”, declarou à imprensa o primeiro-ministro, Emil Boc.

O médico, de origem palestina, demitiu-se na quinta-feira passada após ser criticado fortemente pelo presidente Traian Basescu.

O chefe de Estado acusou o médico, que fundou em 1990 o serviço de emergência, de se opor a um polêmico projeto de reforma da saúde.

O projeto acabou sendo retirado e o premier destacou que Arafat fará parte de uma equipe de especialistas encarregados de propor uma reforma ao sistema sanitário, muito deficiente.

No entanto, resta ver se o gesto do governo porá fim às manifestações que há cinco dias ocorrem em várias cidades da Romênia.

Motivadas a princípio pela demissão do vice-secretário de Estado, as manifestações se tornaram, por extensão, uma forma de protesto contra uma classe política acusada de arrogância e corrupção e as difíceis condições de vida de uma parte da população, em um país que acaba de sair de dois anos de profunda recessão.

Em 2010, o governo de Bloc congelou as pensões e cortou em 25% os salários dos funcionários para obter ajuda de emergência de 20 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE). Embora os salários tenham sido reavaliados desde então, não voltaram ao seu nível de antes de 2010.