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Governo de SC pretende isolar detentos em presídio federal

Medida para combater ataques será debatida em reunião entre o governador, Raimundo Colombo, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, disse nesta segunda-feira que o estado deverá transferir os detentos mais perigosos para penitenciárias federais em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). A ação seria uma resposta à nova onda de ataques que atinge o estado desde a noite de quarta-feira. De acordo com a Secretaria de Segurança catarinense, a ordem para os ataques partiu de dentro dos presídios.

O governo federal ofereceu 30 vagas em unidades prisionais federais. No RDD, o preso é separado em uma cela individual por 22 horas ao dia, com direito a duas visitas em uma semana e um banho de sol por dia de até duas horas. Não é permitido acesso a jornais, televisão e outros meios de informação.

Colombo agendou uma reunião na próxima quarta-feira, em Brasília, com o Ministério da Justiça e outros órgãos do governo federal para discutir um plano de ação contra a série de atentados. “Nós mantemos conversas constantes com o ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) e estamos integrados. Na quarta-feira, vamos discutir toda a questão operacional, inclusive com deslocamento de presos para outras penitenciárias (federais)”, disse nesta segunda-feira.

O governador também anunciou reforço do efetivo policial por meio da abertura de um concurso público para 1.500 vagas na Polícia Militar e 300 vagas de agentes penitenciários.

Colombo disse ainda que as cenas que aparecem em um vídeo com detentos agredidos por funcionários de uma penitenciária, em Joinville, podem ter sido uma das causas dos ataques. “As ações que o vídeo mostra certamente resultaram em uma reação. Evidentemente, há uma ação organizada de criminosos que determinam essa ação”, afirmou.

Nesta tarde de segunda-feira, a polícia do estado subiu de 48 para 50 o número de ocorrências confirmadas nos últimos dias. Uma delas foi uma tentativa de explosão contra uma delegacia de polícia no bairro de Monte Alegre, no município de Camboriú. Dois homens em uma moto jogaram um explosivo que acabou falhando. Agentes da PM foram chamados para fazer a detonação do artefato.

Histórico – Na primeira onda de ataques, em novembro, a crise havia sido relacionada com a tortura de presos na penitenciária de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. O chefe da unidade, Carlos Alves, foi acusado de torturar presos sistematicamente após sua mulher, que era agente penitenciária, ter sido assassinada. Após a saída do diretor, os ataques cessaram. Escutas mostraram que os atentados, da mesma forma que começaram, foram interrompidos por ordem de presidiários.