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Fora de shoppings, ‘rolezinho’ do Ibirapuera não vinga

Apesar de 3,2 mil pessoas terem confirmado a presença no encontro no parque, menos de 100 compareceram ao local

Por Mariana Zylberkan 18 jan 2014, 17h50

O primeiro “rolezinho” fora de um shopping center, marcado para a tarde deste sábado no Parque Ibirapuera, fez jus ao sufixo diminutivo. Com mais de 3.000 confirmações no Facebook, o evento atriu pouco mais de cem jovens da periferia paulistana. O convite foi feito pelo adolescente Plínio Camilo Diniz, de 17 anos, conhecido como Alemão, que escolheu o parque como uma forma de “evitar confusão”. “No shopping, muita gente vai para causar tumulto”, disse o estudante do 2º ano do Ensino Médio que mora no Capão Redondo, zona Sul de São Paulo, e tem mais de 4.000 seguidores no Facebook.

Por volta das 14h, os poucos jovens presentes se dividiam para atender à imprensa que compareceu em massa ao rolezinho. Lá estavam as irmãs Beatriz Santos, 15 anos, e Letícia Ferreira, 16 anos, que foram ao parque tietar Alemão. “Já somos fãs dele no Facebook. Acho ele um gato, quero chamar a atenção dele”, disse Letícia, que vestia modelito idêntico ao da irmã: camiseta branca justa, shorts jeans e uma sandália estilo gladiador, com tiras amarradas até quase a altura do joelho. Elas moram no Jardim Ângela, próximo ao Capão Redondo, na zona sul. “Nossos pais só nos deixaram vir ao parque, não mais no shopping”, comentou Beatriz.

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Assim como as irmãs, outros adolescentes que foram ao parque, como as amigas Jéssica Moura e Letícia Dantas, ambas de 15 anos, contaram ter sido proibidos pelos pais de ir aos rolezinhos em shoppings. Para sair de Diadema, onde moram, elas escolheram roupas e sapatos simples, sem grife conhecida, porque temem roubos. “Nosso pai dá duro para nos dar as coisas. Não queremos que nos roubem”, disse Letícia. “Tem gente que vai no rolezinho só para roubar”, disse Jéssica.

Peregrinação – No Shopping Center Norte, na Zona Norte da capital, um batalhão de seguranças disfarçados de frequentadores circulava pelos corredores à espera dos mais de 1.200 adolescentes que confirmaram presença no rolezinho marcado pelo Facebook para este sábado, às 16h. O clima, porém, era de normalidade, apesar de alguns lojistas terem reclamado do fraco movimento, atribuído ao medo das pessoas de irem ao shopping diante da ameaça de “invasão”.

Por volta do meio-dia o Shopping JK Iguatemi fechou as portas para evitar a entrada de cerca de 300 manifestantes com bandeiras e faixas de movimentos negros, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Marcha Nacional das Mulheres, que partiram do Parque do Povo e se aglomeraram em sua entrada principal para protestar contra racismo. Ativistas – que dão aos rolezinhos uma dimensão política que eles não têm, e se aproveitam do fenômeno para empunhar suas bandeiras – alegam que o centro comercial praticou “apartheid” no último fim de semana, quando obteve uma liminar para impedir a realização de um rolezinho em seus corredores.

Alguns manifestantes tentaram entrar no shopping e, diante da proibição dos seguranças, começaram a gritar palavras de ordem: “Hoje não vai ter lucro”. O advogado Eliseu Soares Lopes, que trabalha para movimentos negros, disse que vai processar o estabelecimento por racismo.

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