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Exército deve explicar à Justiça licitação para compra de caviar

Lista de mantimentos, avaliada em 6,5 milhões de reais, incluía, ainda, bebidas alcoólicas e duas toneladas de camarão

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 2 jul 2018, 10h44 - Publicado em 2 jul 2018, 10h36

A 13ª Vara Cível Federal de São Paulo aceitou uma ação popular e abriu prazo para que o Exército brasileiro dê explicações sobre uma licitação para a compra de mantimentos estimada em 6,5 milhões de reais, que previa, entre outros, a compra de milhares de garrafas de bebidas alcoólicas, latas de caviar e quase duas toneladas de camarão.

A ação foi movida pelo advogado Everson Piovesan, de São Paulo. Segundo ele, o processo tem caráter “pedagógico”. “Pensei que não é comum licitar esse tipo de produto, especialmente produto refinado. Sou advogado e sei que todo cidadão tem o direito de entrar com uma ação popular e resolvi fazê-lo”, disse. “É para mostrar que existem mais formas de participar da democracia para além do voto.”

A licitação foi revelada no início do mês. Questionado sobre a inclusão de itens “refinados”, o Exército teria respondido que eles devem abastecer dois hotéis de trânsito situados no estado do Rio de Janeiro, utilizados exclusivamente por oficiais e seus familiares. O consumo desses itens é pago pelos próprios hóspedes, acrescentou a corporação.

  • Sobre a resposta do Exército, Piovesan disse que a questão não é o valor ou se ele vai retornar, mas o fato de que “não é normal o Exército estar vendendo caviar”. “Tanto é que o juiz o convocou a prestar esclarecimentos. Não é pertinente à função do órgão”, defendeu. O pedido foi concedido no último dia 25 de junho. O Exército tem dez dias para se manifestar.

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