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‘Eu não menti’, diz Joana D’Arc Félix após revelação sobre diploma

'A gente se empolga e acaba falando demais', afirma a química, que agora conta uma história bastante diferente da que relatou até então

Por Jennifer Ann Thomas Atualizado em 15 Maio 2019, 16h03 - Publicado em 15 Maio 2019, 10h29

Joana D’Arc Félix de Sousa, química brasileira, ganhou visibilidade na imprensa e em palestras como o TEDX por contar uma história de superação: a menina pobre, filha de empregada doméstica com operário de curtume, que entrou na faculdade aos 14 anos e concluiu um pós-doutorado em Harvard. Recentemente, a professora foi questionada sobre o seu currículo.

Uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que a universidade negou ter emitido certificados que comprovem a formação e alertou para um erro de grafia no papel: estava escrito “oof” em vez de “of”. No suposto diploma, há duas assinaturas. Uma delas é do professor emérito de química em Harvard Richard Hadley Holm, que, procurado por e-mail, teria dito: “O certificado é falso. Essa não é a minha assinatura, eu não era o chefe de departamento naquela época. Eu nunca ouvi falar da professora Sousa”.

  • No currículo Lattes, escrito pela própria pesquisadora, está publicado que ela recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC). A Capes também negou a existência do nome de Joana em seu sistema, segundo a publicação.

    Há outra revelação na reportagem sobre o histórico da pesquisadora: ela fez a graduação, o mestrado e o doutorado na área de química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No entanto, a data da matrícula na universidade é de 1983, quando tinha 19 anos, e não aos 14 como informou.

    A atriz Taís Araújo, que coproduz um filme sobre a vida da cientista, afirmou estar surpresa com a notícia. Joana falou com VEJA sobre a polêmica:

    Qual é a história por trás da imagem do diploma? Não tenho um diploma de pós-doutorado [em Harvard] porque eu voltei antes. Fui lá algumas vezes, mas tive muitas orientações a distância. Quando o jornalista do Estadão veio, no segundo semestre de 2017, ele pegou várias fotos e eu tinha feito uma encenação, em que a gente apresentava vários diplomas. Depois eu vi que ele estava com uma cópia daquilo e eu falei para ele ‘aquilo lá não é válido’, e ficou por isso mesmo, lá em 2017. Também falei recentemente que aquele diploma não era verdadeiro. Ele foi feito para uma encenação. (Um episódio do podcast Estadão Notícias sobre o caso apresenta no minuto 10’52” uma entrevista gravada com Joana, na qual ela só cita o falso diploma ao ser questionada pela reportagem; não há registros anteriores de declarações em que a cientista se refira ao fato de o diploma não ser válido).

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    Com que idade a senhora começou a faculdade? Passei no vestibular aos 14 anos. O que aconteceu foi que eu não consegui ir, não teria condições, então cursei mais tarde. Eu fui no primeiro momento, mas depois voltei. O TED, por exemplo, é uma coisa reduzida. Tem que falar em dezessete, vinte minutos. Não dá para falar em detalhes.

    A senhora teria como provar que passou por Harvard? Sim, eu fiz orientações a distância, tenho a patente dessa pesquisa feita com essas orientações [a professora se comprometeu a enviar os registros].

    A senhora mentiu sobre a sua história? Eu não menti. Pode ser que eu não tenha explicado de uma forma correta. Mas eu não menti em nenhum momento.

    Na nossa primeira entrevista, a senhora afirmou que concluiu o doutorado [na Unicamp] aos 23 anos. Isso é verdade? Não, isso não procede, não é verdade.

    A senhora tem medo de que essa história prejudique a sua carreira? Faço um trabalho muito importante. Tirar um jovem da vulnerabilidade não tem preço. Eu trabalho com vários jovens. Não pode sujar o trabalho que eu realizei. Tenho esse legado, de trabalhar exclusivamente com jovens na vulnerabilidade social. Com a pesquisa e a ciência, eu transformo vidas de pessoas que não tinham perspectiva de futuro. Esse legado não vai ser apagado.

    As palestras da senhora são sobre uma trajetória de superação e vitória, em Harvard. Isso não fica em xeque? Eu tive orientações a distância. A gente se empolga e acaba falando demais. Mas fica a lição para nos policiarmos. O legado que eu construí, de reduzir a evasão escolar, de transformação social, de tirar crianças do tráfico de drogas e da prostituição, eu acho que não vai ser apagado.

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