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E-mails mostram contato de mais um parlamentar com o doleiro Alberto Youssef

Deputado federal Waldir Maranhão (PP-MA) enviou comprovante de transferência bancária para o criminoso, preso na operação Lava-Jato

E-mails obtidos com exclusividade pelo site de VEJA mostram um relacionamento, desconhecido até agora, de mais um parlamentar com o doleiro Alberto Youssef. Mensagens inéditas mostram contato do deputado federal Waldir Maranhão (PP-MA) com o doleiro para tratar de transferências bancárias. De acordo com as investigações da operação Lava Jato, o criminoso funcionava como uma espécie de banqueiro para clientes variados. “Alberto Youssef era um banco. Ele emprestava dinheiro, pagava contas e dava presentes”, afirmou a contadora de Youssef, Meire Poza, em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados no último dia 13.

Nas conversas, obtidas com a quebra do sigilo telemático de uma das contas de e-mail usadas por Youssef, a secretária parlamentar Priscila Barbosa de Souza, lotada à época no gabinete de Maranhão, envia comprovantes de ordens bancárias para o doleiro. Os e-mails foram disparados em agosto de 2013. A assessora do deputado diz na mensagem a Youssef: “seguem os anexos, a pedido do Dep. Waldir Maranhão”. Os comprovantes anexados tratam de uma transferência de 9.990 reais da Tri Murti Distribuidora para a Oterrab & Moreira serviços de consultoria tributária. Os donos das empresas não foram localizados.

Maranhão é mais um parlamentar elencado na rede de contatos do doleiro. A operação Lava Jato encontrou provas de que o doleiro intermediou doações para o Partido Progressista (PP), legenda do deputado. O partido obteve pouco mais de 2 milhões de reais, repassados por fornecedores da Petrobras.

Conforme VEJA revelou, oito deputados frequentavam o escritório do doleiro em São Paulo. Foram encontrados comprovantes de depósitos para o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Além do ex-presidente, os deputados Luiz Argôlo (SDD-BA) e André Vargas (ex-PT) são investigados pela Polícia Federal por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), por ligações suspeitas com o doleiro.

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