Dorina Nowill: ativista de direitos para cegos é homenageada pelo Google

Brasileira, que presidiu Conselho Mundial e virou personagem da Turma da Mônica, ganha doodle no dia em que faria 100 anos

Por Da Redação - Atualizado em 28 maio 2019, 03h47 - Publicado em 28 maio 2019, 02h14

Ativista pela inclusão das pessoas com deficiência visual no Brasil e no mundo, Dorina Nowill é homenageada pelo Google nesta terça-feira 28, por conta de seu 100º aniversário de nascimento. A paulistana que morreu em 2010, tem o rosto estampado em um doodle na página inicial da versão brasileira do site.

Doodle do Google homenageia a ativista Dorina Nowill

Doodle do Google homenageia a ativista Dorina Nowill Google/Reprodução

Em cerca de 70 anos de ações pela causa dos cegos, Nowill idealizou a fundação que hoje recebe seu nome, presidiu o Conselho Mundial para o Bem Estar dos Cegos, trabalhou para que leis de inclusão fossem desenvolvidas e inspirou, ainda em vida, a criação da personagem Dorinha na Turma da Mônica. 

Nascida em 28 de maio de 1919, Dorina de Gouvêa Nowill perdeu completamente a visão aos 17 anos, como consequência de uma doença que nunca foi diagnosticada. Em 1943, ela se tornou a primeira aluna cega a frequentar uma escola regular – o curso normal – no colégio Caetano de Campos, em São Paulo.

Ao longo do curso, Nowill desenvolveu um método para inclusão de deficientes visuais na educação. Seu projeto foi aprovado pelo governo paulista, na década de 40, e abriu caminho para a instalação do I Curso de Especialização de Educação de Cegos na América Latina.

Publicidade

Na mesma década, ela ainda foi idealizadora da “Fundação para o Livro do Cego no Brasil”, que mais tarde recebeu o nome de Fundação Dorina Nowill, organização sem fins lucrativos que até hoje desenvolve serviços para a inclusão social de pessoas com deficiências na visão.

De acordo com o site da entidade, ao longo de sete décadas, foram produzidos mais de 6 mil títulos de livros adaptados, além de mais de 2,7 mil obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis. Nos serviços de clínica de visão subnormal, reabilitação e educação especial, foram atendidas mais de 17 mil pessoas no período. 

Entre outras iniciativas, Nowill idealizou a Biblioteca Braile, que localiza-se desde 1986 no Centro Cultural São Paulo, e atuou por conquistas políticas como a garantia em lei do direito à educação inclusiva do cego no Estado de São Paulo, assinada em 1953.

Organizou diversos congressos ao longo de sua trajetória e, em 1975, representou o Brasil na Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos da Mulher. Na ocasião, foi aprovada a recomendação – em caráter mundial – para que a mulheres com deficiência fossem consideradas cidadãs plenas de seus direitos.

Publicidade

Em 1979, foi eleita presidente do Conselho Mundial para o Bem Estar dos Cegos. No ano de 1996, lançou sua autobiografia: “E eu venci assim mesmo”.

Foi homenageada pelo cartunista Maurício de Sousa, em 2004, com a criação da personagem cega Dorinha, presente em histórias da Turma da Mônica. Morreu em 29 de agosto 2010, aos 91 anos, vítima de uma parada cardíaca em São Paulo.

Entre diversas homenagens póstumas que recebeu, foi relembrada por um samba-enredo da escola Tom Maior, no carnaval paulistano de 2012, com o tema “Paz na Terra e aos Homens de Boa Vontade”, celebrando personalidades que lutaram em prol da cidadania e da justiça social. Em 2015, o Senado criou a  Comenda Dorina Nowill, concedida para pessoas com contribuição relevante na defesa das pessoas com deficiência no Brasil.

Nas celebrações pelos 100 anos de seu nascimento em 2019, a fundação que leva seu nome a descreve como “a mulher que enxergava o mundo com os olhos da alma”.

Publicidade