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Documento diz que coronel morreu em decorrência de problemas cardíacos

Guia de sepultamento não faz referência a hipótese de sufocamento de Paulo Malhães, que admitiu prática de tortura durante a ditadura

Por Pamela Oliveira - 26 abr 2014, 14h14

A guia de sepultamento do coronel da reserva Paulo Malhães, morto na última quarta-feira, aponta três razões como causa mortis: edema pulmonar, isquemia de miocárdio e miocardiopatia hipertrófica. O documento não faz referência a hipótese de sufocamento, levantada pela polícia. Paulo Malhães – coronel da reserva que confessou ter participado de torturas durante a ditadura militar – foi enterrado na tarde deste sábado no cemitério de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

A filha do ex-militar, Carla Malhães, de 51 anos, confirmou que o pai tinha problemas cardíacos. Ela afirmou que o pai não havia relatado ameaças e que, por ora, a família deixa a solução do caso nas mãos da polícia. “Não estamos pensando nisso, estamos nos despedindo do nosso pai”, disse. “Para nós, ele era apenas um pai. Os demais é que o veem como o coronel da ditadura.”

A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga o caso, não descarta nenhuma das hipóteses para explicar o assassinato: homicídio por motivo de vingança ou latrocínio (roubo seguido de morte). A possibilidade de a morte ter relação com o depoimento de Malhães à Comissão da Verdade, em março, também é investigada. Na ocasião, ele afirmou ter participado de torturas, assassinatos e desaparecimentos de militantes políticos, inclusive do sumiço dos restos mortais do deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971. Ele também deu detalhes sobre o funcionamento da Casa da Morte de Petrópolis, na Região Serrana fluminense, um centro clandestino de tortura e homicídios mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE).

De acordo com a DHBF, agentes estão nas ruas realizando diligências. Os policiais buscam câmeras que possam ter registrado imagens dos bandidos fuga. Segundo o delegado Wilian Medeiros, testemunhas estão sendo ouvidas na especializada. Medeiros disse, no entanto, que não divulgará outras informações para não atrapalhar o andamento das investigações.

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Histórico – Na tarde da última quinta-feira, três homens invadiram o sítio de Malhães e fizeram de reféns por nove horas ele, a mulher, Cristina Batista Malhães, e o caseiro, Rogério. Os criminosos levaram dois computadores, pelos menos três armas antigas colecionadas pelo ex-militar, um aparelho de som, joias e cerca de 700 reais em dinheiro.

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Malhães foi mantido em seu próprio quarto, onde foi encontrado morto, supostamente por asfixia. O corpo estava de bruços, com o rosto contra um travesseiro e apresentava sinais de cianose – características de sufocamento. Os criminosos amarraram Rogério e Cristina e foram embora depois do crime.

*Atualizado às 17h47

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