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Documento da Vale alertava para risco a refeitório em caso de rompimento

Plano de emergência obtido pela 'Folha de S. Paulo' previa que edifício da mineradora no local seria atingido em uma eventual ruptura da barragem

Um plano de emergência da Vale, emitido em 18 de abril de 2018, alertava para o risco de que a sede da empresa em Brumadinho (MG) seria destruída no caso de rompimento da barragem de Córrego do Feijão. O teor do documento foi publicado na edição desta sexta-feira, 1º, do jornal Folha de S. Paulo.

O edifício da empresa, incluindo o refeitório onde funcionários estavam almoçando, foi atingido pela lama, assim como as áreas industriais da mina. Grande parte dos mortos e desaparecidos estavam nesses locais no momento da tragédia. Até esta sexta-feira, 1º, foram contabilizados 110 mortos e 238 desaparecidos.

O jornal conta ter adquirido o documento junto a um dos órgãos oficiais encarregados de recebê-lo – porém, relata que a Vale se recusou a encaminhá-lo.

Segundo a publicação, o plano previa que, em caso de uma ruptura de barragem, “diferentes mecanismos de comunicação” seriam utilizados, com o “uso de acionamentos sonoros”. No entanto, de acordo com a própria Vale, nenhuma sirene foi acionada no momento da tragédia. A empresa afirma que o mecanismo foi “engolfado” pela onda de lama.

Além da falha no alerta sonoro, o jornal também apurou que a comunicação de emergência prevista no plano falhou. A equipe de funcionários que deveria comunicar o caso à Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Semad) foi atingida pela lama.

O escritório da equipe de geotecnia, responsável por dar partida às primeiras ações emergenciais, ficava no pé da estrutura da barragem. Ao menos dois funcionários elencados no plano como responsáveis por alertar em casos de emergência morreram: Maurício Lemes, do Cecom (Centro de Controle de Emergências e Comunicação), e Alano Teixeira, coordenador suplente do Plano de Ações Emergenciais (PAEBM).

Em resposta para a Folha de S. Paulo, a Vale declarou que o PAEBM (Plano de Ações Emergenciais de Barragem de Mineração) “foi construído com base em um estudo de ruptura hipotética, que definiu a mancha de inundação”.

Sobre a estrutura, afirmou que contava com “sistema de vídeo monitoramento, sistema de alerta através de sirenes (todas testadas) e cadastramento da população à jusante”.

A empresa também informou que fez uma simulação em 16 de junho de 2018 sob a coordenação das defesas civis e um treinamento interno com os funcionários em 23 de outubro.

Comentários

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  1. Eduardo Martins

    Não adianta por todos os atos e omissões nas costas da empresa. A “Vale” é uma pessoa jurídica de fato, e toda as ações e omissões são realizadas por pessoas, mais especificamente por profissionais. Se haviam riscos, falhas em sistemas de sinalização, falta de planos de contingência, as responsabilidades devem ser atribuídas aos funcionários e contratados dentro de suas atribuições. Não é a “Vale” que faz o sistema de sinalização funcionar, mas os engenheiros que projetaram o sistema, os técnico que instalaram, os profissionais de Segurança do Trabalho que deveriam aprovar a solução e criar procedimentos para confirmar o funcionamento do sistema, por exemplo, através de simulações, como aliás é feito em qualquer empresa séria. É preciso, primeiro, identificar as causas dos problemas identificados, para somente depois apurar as responsabilidades. Parece que o único objetivo até agora tem sido atribuir toda a responsabilidade à “Vale”, sem realmente se importar com as responsabilidades individuais de cada profissional envolvido. Se estes agiram corretamente e houve decisões da presidência ou da diretoria que inviabilizaram ou prejudicaram os projetos apresentados, então, neste caso, a responsabilidade se transfere.

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