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Dilma cobra países ricos e promove Brasil como modelo sustentável

Dilma lembrou os acordos feitos em conferências passadas e afirmou que o princípio de responsabilidades diferenciadas não está em negociação, apesar de ser esquecido na prática

Por Marco Túlio Pires e Luís Bulcão, do Rio de Janeiro - 20 jun 2012, 18h06

“Cabe a nós, dirigentes mundiais, demonstrar capacidade de liderar e de agir, quando os olhos e coração do mundo estão voltados para essa cidade. Nesse momento histórico, temos plena consciência que o futuro das próximas gerações aguarda nossas decisões”

Em seu discurso para a cúpula de chefes de estado da Rio+20, a presidente Dilma Rousseff cobrou a conta de promessas não entregues pelos países desenvolvidos e afirmou que o modelo de desenvolvimento sustentável praticado pelo Brasil serve como exemplo para o mundo. Dilma lembrou os acordos feitos em conferências passadas, como a Rio 92 e o Protocolo de Kyoto, e afirmou que o princípio de responsabilidades diferenciadas não está em negociação, e muitas vezes é esquecido na prática. Dirigindo-se aos líderes do mundo, a presidente disse que o Brasil “soube crescer democraticamente” ao mesmo tempo em que promoveu inclusão social e protegeu o meio ambiente.

“Em Copenhague, na COP15, anunciamos compromisso voluntário de reduzir de 26% a 39% as emissões de gases que aceleram o efeito estufa até 2020. Isso nos autoriza a cobrar mais dos países desenvolvidos. Nosso modelo de desenvolvimento não é o único, mas mostra que é possível avançar através do desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A presidente também defendeu o texto da declaração a ser apresentada pelos líderes ao final da conferência. Afirmou que o documento representa o consenso obtido entre os países resultante de “um grande esforço de conciliação”. Dilma argumentou que a declaração não retrocede em relação às conquistas anteriores e citou avanços. Entre eles, a presidente destacou a introdução do objetivo de erradicação da pobreza como maior desafio global e a menção à igualdade radical e não discriminação feitas na declaração.

A criação de um fórum de alto nível para o desenvolvimento sustentável, o fortalecimento do Pnuma, a ampliação da participação da sociedade civil, a adoção de um processo para a redução dos padrões de consumo e produção e o reconhecimento da insuficiência do PIB para medir as riquezas de um país também foram mencionadas como conquistas da Rio+20.

“Cabe a nós, dirigentes mundiais, demonstrar capacidade de liderar e de agir, quando os olhos e coração do mundo estão voltados para essa cidade. Nesse momento histórico, temos plena consciência que o futuro das próximas gerações aguarda nossas decisões”, disse.

O discurso foi a segunda fala da Dilma para a cúpula de chefes da Rio+20. No início do encontro, a presidente agradeceu a sua eleição simbólica como presidente da cúpula. Além dos líderes mundiais, os principais ministros do governo brasileiro e os ex-presidentes Lula, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor de Mello também presenciaram o discurso.

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