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Delegada presa com quase R$ 2 mi usa seguidores para justificar bolada

A advogada Luciana Pires, que defende ainda Flávio Bolsonaro, diz que 350 mil reais são do recuo da compra de um imóvel e que ela monetiza com 160 mil fãs

Por Adriana Cruz Atualizado em 12 Maio 2022, 18h15 - Publicado em 12 Maio 2022, 17h32

A advogada Luciana Pires, que defende a delegada Adriana Belém, presa com quase 2 milhões de reais, alega que a cliente não teve oportunidade de comprovar a licitude da alta cifra. Na lista de justificativas  para a policial ter em casa a bolada, Luciana ressaltou que a policial tinha 350 mil reais por ter desistido da compra de um imóvel. Segundo Luciana, ela ainda monetiza, sem dar os valores e apenas com base em uma “rápida e simples análise das redes sociais”,  com seu séquito de 160 mil seguidores no Instagram. O pedido de revogação da prisão feito pela defesa de Adriana, ao qual VEJA teve acesso, está nas mãos do juiz Bruno Rulière, da 1ª Vara Criminal Especializada do Rio de Janeiro.

Para o Ministério Público, o dinheiro é resultado do envolvimento da delegada com a corrupção. Sem dúvida, Adriana está assistida por um nome de peso na advocacia. Luciana ganhou notoriedade ao defender o senador Flávio Bolsonaro (PL) no caso das rachadinhas. As provas foram anuladas tanto no Superior Tribunal de Justiça quanto no Supremo Tribunal Federal. Luciana também é advogada do governador Cláudio Castro (PL) e defende o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT).

Adriana caiu na rede de investigação da operação Calígula, deflagrada na terça-feira, 10, pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra a quadrilha comandada pelo sobrinho do bicheiro Castor de Andrade, Rogério de Andrade. Rogério é apontado como sócio do PM reformado Ronnie Lessa em bingo clandestino, preso acusado de ser o executor das mortes da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, em 2018. A aliança entre os dois trouxe Rogério para o centro das investigações do caso Marielle.

Para tirar Adriana da cadeia, Luciana alegou que o Gaeco requereu a prisão mesmo antes da contagem do dinheiro. Lembrou da superlotação dos presídios e de que a pandemia do coronavírus ainda não acabou. Alegou ainda que ela corre risco de vida na cadeia pela profissão que exerce. “Em recente caso de grande repercussão midiática no Rio de Janeiro, uma mulher teve a prisão cautelar substituída pela modalidade domiciliar em razão das ameaças sofridas no sistema prisional”, diz trecho, sem citar o nome da professora Monique Medeiros, que responde pela morte do filho, Henry Borel, de 4 anos, que ganhou o direito à prisão domiciliar por ter sido ameaçada por presas.

Na Corregedoria da Polícia Civil, Adriana foi autuada por lavagem de dinheiro e depois encaminhada ao sistema prisional. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, Adriana está em uma cela individual no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, Zona Norte. Acostumada a mostrar uma vida de luxo nas redes sociais, na cadeia ela só recebeu o uniforme de presidiária, par de chinelos, kit de higiene e absorvente.

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