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Cruz Vermelha envia relatório sobre desvios ao MP

Caso foi revelado por VEJA em 2012: dinheiro destinado a vítimas de tragédias no Rio de Janeiro, Somália e Japão nunca chegou a quem precisava dele

A filial brasileira da Cruz Vermelha enviou nesta sexta-feira ao Ministério Público Federal o relatório da auditoria da instituição, que confirmou desvios milionários de recursos doados à entidade no país. As suspeitas vieram à tona em agosto de 2012, conforme revelou reportagem em VEJA: os auxílios entregues à entidade no país não foram aplicados como pensam os incautos.

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O resultado da auditoria consta em reportagem desta sexta-feira do jornal Folha de S. Paulo. Segundo o diário, uma comissão de crise da Cruz Vermelha Internacional virá ao Brasil em setembro para monitorar as mudanças na filial brasileira. Como VEJA informou há dois anos, nas três campanhas nacionais de arrecadação organizadas em 2011 pela Cruz Vermelha Brasileira – uma para as vítimas dos deslizamentos na região serrana fluminense, que deixaram 35.000 desabrigados; outra para a Somália, país africano faminto e devastado por guerras civis; e mais uma para a tragédia do terremoto seguido de tsunami no norte do Japão -, os recursos arrecadados não foram aplicados em nenhum dos locais.

Por meio de uma nota oficial, a instituição confirmou que os desvios, cerca de 25 milhões, estão concentrados em três filiais – Maranhão, Petrópolis e Ceará – e foram entregues a uma conta de uma organização não governamental. A entidade também informa que vai punir os gestores de cada entidade. “A Cruz Vermelha estuda medidas judiciais que visem reparação pelos danos causados a imagem da instituição perante a opinião pública”, informa a nota.

Entenda o caso – As irregularidades começaram a ser levantadas em 2012 pela funcionária Letícia Del Ciampo, que assumiu, à época, o escritório de Petrópolis da entidade. Depois de encaminhar documentos ao Ministério Público e de dar declarações públicas sobre as irregularidades, ela recebeu ameaças de morte e pediu proteção policial.

VEJA descobriu que a Embaixada da África do Sul destinou 230.000 reais aos desabrigados da serra fluminense e nunca recebeu um relatório sequer sobre a utilização do dinheiro. A reportagem teve acesso a uma lista de empresas e bancos que juntos doaram cerca de 1,5 milhão de reais para os desabrigados fluminenses. A Cruz Vermelha do Japão registra o recebimento de 164.000 reais para as vítimas do tsunami, mas os recursos eram provenientes apenas da Cruz Vermelha de São Paulo. O dinheiro arrecadado pelo escritório nacional foi parar nas contas secretas do Maranhão, como mostrou a reportagem.

Reportagem da Folha informa que a auditoria constatou que o Instituto Humanus, com sede em São Luís, no Maranhão, está registrado em nome de Alzira Quirino da Silva, mãe do ex-vice-presidente do órgão central da Cruz Vermelha. E que o instituto recebeu 15,8 milhões de reais da Cruz Vermelha entre 2010 e 2012, sem qualquer comprovação de que tenha efetuado os serviços correspondentes. Por falta de documentos, os auditores não conseguiram identificar a origem de todo dinheiro repassado ao Humanus. As transações bancárias de transferência de verba para o instituto eram feitas com a assinatura eletrônica de Carmen Serra, ex-presidente da filial da Cruz Vermelha no Maranhão e irmã do presidente nacional da instituição à época, Walmir Serra Júnior.

Em setembro de 2012 VEJA obteve um ofício que prova que era Walmir Serra quem determinava o destino do dinheiro. A empresa Mitsui & Co. S.A., que doou cerca de 150.000 reais para as vítimas da tragédia na serra fluminense, foi orientada, em um ofício enviado por Serra, a depositar o dinheiro em uma conta do Banco do Brasil em São Luiz do Maranhão. Presidente da Cruz Vermelha nacional desde 2013, Rosely Sampaio afirmou à Folha que o relatório da auditoria será levado à Justiça para que sejam tomadas as medidas cabíveis.