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Mundialista

Por Vilma Gryzinski
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A mais longa das noites: países árabes cooperaram com Israel contra Irã

Não foi só a Jordânia que tomou a atitude inédita de derrubar drones iranianos, outros árabes participaram de uma espécie de aliança quase secreta

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 9 Maio 2024, 12h17 - Publicado em 17 abr 2024, 07h39

O árabe foi um idioma muito falado no centro de controle de onde o comando das Forças de Defesa de Israel coordenou a reação aos mais de 300 drones e mísseis disparados pelo Irã contra o país na incrível noite em que o céu sobre a Terra Santa se iluminou com as seguidas interceptações.

A Jordânia havia sido o único país árabe a assumir que derrubou “objetos voadores” alienígenas que entraram em seu espaço aéreo – isso apesar de um alto grau de deterioração das relações com Israel por causa da guerra em Gaza, especialmente sensível num país que tem metade da população formada por palestinos, incluindo a mulher do rei Abdullah, Rania.

O país mais importante que entrou na aliança tácita, passando informações sobre a trajetória dos atacantes não tripulados, foi a Arábia Saudita. O país governado, na prática, pelo príncipe Mohammed Bin Salman segue uma tática de ambiguidade. Não assume, como fez a Jordânia, mas, como os Estados Unidos, está vazando as informações da colaboração, envolvendo também os Emirados Árabes Unidos.

É uma forma de ressaltar a ação conjunta sem precedentes e também de tentar forçar Israel a se “dar por satisfeito”, segundo as palavras de Joe Biden para Benjamin Netanyahu, e não prejudicar essa aliança com uma represália direta ao ataque iraniano.

Uma “fonte da família real” saudita citada pele emissora pública israelense Kan deu o contexto dessa colaboração inédita: o Irã instigou o Hamas a atacar Israel em 7 de outubro para tumultuar a normalização de relações promovida pelos Estados Unidos. Esse grande acordo incluiria liberar um programa nuclear pacífico para a Arábia Saudita e dar garantias equivalentes à criação de uma “Nato árabe”, estendendo o poderoso guarda-chuva americano ao reino do deserto.

Sinal de fraqueza

É claro que o Irã veria isso como um grave desequilíbrio estratégico. Quem também sairia perdendo seria a China, que fez um grande lance no xadrez regional ao bancar uma espécie de reconciliação entre Arábia Saudita e Irã – um lance que foi, obviamente, para o lixo depois do ataque do Hamas.

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Iria Israel desperdiçar a oportunidade criada pela excepcional aliança tácita, movida ao horror que os países do Golfo Pérsico têm ao regime teocrático iraniano, e aumentar o clima de extrema volatilidade com um ataque – solo, sem a potência americana por trás – contra o Irã?

Ou melhor, poderia Israel se dar ao luxo de não retaliar, o que seria inevitavelmente interpretado como um sinal de fraqueza? Uma pesquisa da Universidade Hebraica diz que nada menos que 74% dos israelenses são contra um revide se isso prejudicar a incrível aliança da “noite dos drones”: Estados Unidos, Reino Unido, França, Jordânia e os outros árabes moderados.

Ao nível da liderança, a questão é fechada: tem que haver uma resposta. A dúvida é sobre qual seria mais adequada a um momento tão cheio de perigos.

É uma questão imensamente difícil e os árabes estão acionando todo seu arsenal diplomático. “A maior prioridade saudita é que a crise não se dissemine”, disse um analista saudita, Ali Shihabi, levantando a possibilidade de que o Irã poderia contra-retaliar com ataques voltados aos vulneráveis países do Golfo, muito mais expostos do que Israel e sua muralha quase bíblica de equipamentos de interceptação.

“Fogo neles”

Com exceção do Catar, os ricos países do Golfo querem tranquilidade para seguir com seus ambiciosos programas de diversificação de investimentos e desenvolvimento voltado para a era pós-petróleo. Tudo o que atrapalhar essa trajetória é ruim para os negócios e, no caso dos emirados menores, até para sua viabilidade como estados independentes.

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O jogo é, portanto, altíssimo e Israel tem uma decisão a tomar de tirar o fôlego. Envolve não apenas a questão iraniana, mas Gaza, Cisjordânia, os reféns e o futuro acordo com os árabes moderados, algo que o país sempre almejou. “Israel deveria ouvir seus aliados”, argumentou o Financial Times.

As pressões no sentido contrário são igualmente poderosas.

E não só sobre Israel.

“Israel, fogo neles, não terão coragem de retaliar”, dizia uma pichação que apareceu numa parede iraniana, segundo a BBC. Outra: “Israel, mire na casa do líder supremo”. Ninguém menos que o todo-poderoso Ali Khamenei.

É o tipo de ambiente que pode acabar em encrenca, e das maiores que se possa imaginar.

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