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Contra Uber, Haddad cria táxi mais caro

Nova categoria, chamada 'táxi virtual', deve servir de parâmetro para uma eventual regulamentação do aplicativo

A nova categoria de táxis que a prefeitura de São Paulo deve criar, o “táxi virtual”, pretende integrar veículos da categoria especial (vermelho e branco) e os táxis de luxo da cidade. Serão táxis com bandeira mais cara, que devem servir de parâmetro para uma eventual regulamentação do aplicativo Uber, que oferece serviços de carona com motoristas não cadastrados pela administração municipal.

Na terça-feira, o prefeito Fernando Haddad (PT) recebeu uma comissão de representantes de taxistas em seu gabinete. O encontro se deu um dia depois de ele ter se encontrado com representantes da Uber. Há a expectativa de que Haddad divulgue detalhes das mudanças no serviço de táxi e regras para o aplicativo entre esta quarta e quinta-feira. A ideia não é proibir a empresa de funcionar, desde que ela siga as regras municipais.

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Segundo interlocutores, o prefeito encomendou um estudo detalhado sobre a situação dos táxis em São Paulo antes de ir a Paris, na França, na semana passada. Os técnicos entregaram um diagnóstico apontando para a migração dessas categorias especiais para os aplicativos. Empresas que já têm aplicativos de táxi, como a 99Táxis, têm feito pressão no Executivo para aumentar a quantidade de táxis de luxo na cidade. Há 175 veículos nesta categoria. A 99Táxis diz que há mercado para até 5.000 carros.

Os táxis virtuais serão uma categoria nova na cidade que só vai atender corridas feitas pelos aplicativos. Eles terão de pagar uma taxa ao município. O vereador Adilson Amadeu (PTB), um dos principais articuladores do projeto de lei que proibiu a Uber, e aguarda sanção do prefeito, afirmou ter saído da reunião com Haddad seguro de que o chefe do Executivo vai aprovar o texto.

Presente na reunião de terça-feira na prefeitura, o presidente do Sindicato dos Taxistas (Sinditaxi), Natalício Bezerra, não quis adiantar se Haddad vai sancionar ou vetar a lei que proíbe a Uber na capital, mas disse que o resultado do encontro foi “positivo”. “Ele falou que vai nos atender, que tem uma admiração muito grande pela categoria e não vai deixar mais de 30.000 pais de família numa situação difícil. Confio no prefeito”, afirmou Bezerra. Na conversa, a categoria pressionou para que o prefeito sancione o texto aprovado na Câmara Municipal. Em relação aos “táxis virtuais”, Bezerra disse que a categoria não é contra. “Apenas é um serviço mais moderno. Desde que seja para táxi, para o nosso segmento, tudo bem.”

A Uber informou que só vai se manifestar após Haddad tomar sua decisão.

(Com Estadão Conteúdo)