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Como a tragédia em Capitólio poderia ter sido evitada

Caberia uma análise geológica da região com mais minúcia e frequência, de modo a medir possíveis fraturas e riscos de rompimento

Por Fábio Altman Atualizado em 14 jan 2022, 18h25 - Publicado em 15 jan 2022, 08h00

A cena foi chocante. No sábado 8, imagens de vídeos viralizaram pela internet, com o desmoronamento de um colossal talude que se desprendeu de um cânion em Capitólio, à margem do Lago de Furnas, no sul de Minas Gerais — e atingiu em cheio uma lancha com turistas. “Mano do céu, aquele pedaço vai cair, sai daí”, diziam visitantes a bordo de uma outra embarcação. Não houve tempo de fuga. Até a quinta-feira 13, dez pessoas tinham morrido. Foi um movimento selvagem da natureza, inesperado, imprevisível, talvez. Havia, contudo, maneiras de ter evitado a tragédia. Caberia uma análise geológica da região com mais minúcia e frequência, de modo a medir possíveis fraturas e riscos de rompimento. É o que fazem os responsáveis por parques como o do Monte Rushmore, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos, com as colossais esculturas esculpidas na pedra de quatro presidentes americanos. Há controle eletrônico afeito a identificar mínimas oscilações. Em nota, a Sociedade Brasileira de Geologia informou que o acidente em Minas “expõe um grave problema relacionado com a gestão territorial em regiões destinadas ao geoturismo no Brasil”. Havia ainda outra complicação, atrelada ao sucesso popular da atração: as lanchas se amontoavam, em quantidade maior do que a desejada, muitas delas com passageiros sem coletes e orientações de segurança. Um pouco mais de cuidado evitaria que um sábado de verão, alívio para as preocupações da pandemia, resultasse no grito desesperado de “mano do céu, sai daí”, sem que pudesse ser ouvido.

Publicado em VEJA de 19 de janeiro de 2022, edição nº 2772

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