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‘Comissão amiga’ retorna da Venezuela sem visitar presos políticos

Senadores brasileiros da base governista disseram às mulheres dos opositores que "não era o caso" visitar o presídio em que eles se encontram

Por Da Redação - 26 jun 2015, 01h38

Após cumprir a agenda política na Venezuela sem enfrentar bloqueios ou a hostilidade do governo chavista, a comitiva de senadores brasileiros da base governista retorna ao Brasil na madrugada desta sexta-feira. A comissão chapa-branca capitaneada pelo PT e formada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Roberto Requião (PMDB-PR), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Telmário Mota (PDT-RR) se reuniu com representantes da oposição venezuelana, mas negou um convite para visitar os presos políticos mantidos pelo governo bolivariano de Nicolás Maduro. As mulheres dos detidos convidaram os parlamentares pessoalmente, mas ouviram dos brasileiros que eles não tinham ido ao país para interferir na “política interna” de Caracas.

A senadora Vanessa Grazziotin declarou que “não era o caso” fazer uma visita aos opositores presos. “Você não chega a um país e vai a um presídio falar com um preso sem pedir autorização previamente. Nós dissemos para elas que a ajuda que podemos dar é ouvir todos os lados”, afirmou. Além das mulheres dos presos políticos, os senadores tiveram encontros com famílias de pessoas que morreram nas manifestações populares do ano passado, com o ex-candidato presidencial Henrique Caprilles, com membros da Mesa da União Democrática (MUD), que reúne os principais partidos de oposição, e com o presidente da Assembleia Nacional do país, Diosdado Cabello – considerado a segunda pessoa mais poderosa do país e investigado nos Estados Unidos por envolvimento com o narcotráfico.

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Depois do encontro, a MUD declarou por meio de um comunicado que informou os brasileiros sobre a “grave situação” que assola o país e “que se vê refletida no mal-estar da sociedade”. De acordo com a nota, o secretário-executivo da plataforma, Jesús Torrealba, “deixou claro” aos parlamentares que a MUD “quer uma mudança pacífica e eleitoral na Venezuela”. A coalizão opositora diz que “tem plena consciência da importância de estabelecer um diálogo com o governo do Brasil” e ressaltou que seus membros querem que o país possa “apoiar a Venezuela”. A MUD também reiterou o pedido para que representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia sejam convidados pelo governo bolivariano para atuar como observadores das próximas eleições parlamentares. O pleito foi agendado para o dia 6 de dezembro e, por enquanto, será supervisionado somente pela União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Tratamento distinto – Na semana passada, o micro-ônibus que transportava senadores brasileiros de oposição foi atacado por manifestantes bolivarianos e bloqueado por obras que o governo resolveu fazer em um túnel e na rodovia que leva ao presídio onde estão os presos políticos. O túnel estava em “manutenção emergencial” e a pista estava sendo “lavada”, disseram as autoridades locais. A polícia venezuelana nada fez para impedir que o veículo fosse atacado por chavistas e, ao jornal Folha de S. Paulo, um oficial admitiu que a orientação era sabotar a viagem dos senadores. Os políticos também ficaram entregues à própria sorte após o embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira, sumir depois de recepcioná-los no aeroporto.

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Desta vez, Pereira acompanhou a viagem dos senadores governistas normalmente. A polícia também escoltou os senadores sem que houvesse bloqueios ou manifestações que pudessem atrapalhar a agenda dos políticos brasileiros. A senadora Vanessa Grazziotin disse que o fato de a comitiva ‘amiga’ ter chegado na quarta-feira à noite colaborou para que não houvesse trânsito no caminho entre o aeroporto e o centro da cidade. O senador Roberto Requião afirmou que a comitiva que foi ao país pedir a libertação dos opositores venezuelanos chegou “em má hora”. Requião acrescentou que sempre terá “uma visão fantástica” da Venezuela.

(Com Agência Brasil, France-Presse e EFE)

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