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Católicos deixarão de ser maioria no Brasil em 2030, prevê especialista

Para 2040, a expectativa é de que católicos e evangélicos estejam empatados

Por Cecília Ritto - 1 jul 2012, 08h39

“Apenas pelo efeito da inércia demográfica haverá crescimento da população evangélica. Se ainda houver atração de fiéis de outras denominações, o crescimento será maior ainda. O fato de haver maior presença entre mulheres e jovens pode ser uma vantagem comparativa dos evangélicos no Brasil”, aponta estudo

Os últimos 20 anos representam para o quadro das religiões no Brasil o período de maior transformação. Desde 1872, ano do primeiro levantamento considerado na série histórica, os católicos representavam quase a totalidade da população, com mais de 90% de seguidores. Dados do IBGE mostram que, a partir de 1970, o catolicismo começou a não acompanhar o ritmo de crescimento da população, ao mesmo tempo em que correntes evangélicas se expandiam à medida que cresciam periferias e formavam-se novos municípios. A partir de 1991, esse processo se deu de forma mais acelerada, a ponto de, na última década, ser registrada a primeira perda real – em números totais – de católicos no Brasil.

Pesquisadores acreditam que, até 2030, as filiações católicas serão menos de 50% da população brasileira. Em 2040, pelas projeções, católicos e evangélicos estariam empatados. A notícia é ruim para o Vaticano, afinal, a tendência brasileira de pluralidade implica, necessariamente, em perda de poder da Igreja. O Brasil ainda é, atualmente, o único entre os 10 países mais populosos do mundo com nação majoritariamente católica. Mas uma prévia do novo mapa religioso do Brasil, que se consolida para as próximas décadas, está no estado do Rio de Janeiro. Mais precisamente no entorno da capital, área em que o Censo de 2010 identifica como a de maior pluralidade religiosa e onde os católicos têm a menor fatia de seguidores. O Rio é o estado onde havia, em 2010, os menores percentuais de católicos (45,8%) e os maiores índices dos sem religião (15,5%) e das outras religiões (sem considerar os evangélicos, que também cresceram no estado e chegaram a 29,4%).

A razão para crer que este cenário se repetirá, em intensidades diferentes, mas na mesma direção, está no fato de o território fluminense historicamente ‘puxar’ a tendência nacional. Com base no censo de 2010, José Eustáquio Diniz, Suzana Cavenaghi – ambos professores do Instituto Nacional de Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) – e Luiz Felipe Walter Barros, do IBGE, concluíram que os estados onde há maior diversidade religiosa são os que apresentaram maior queda no número de católicos.

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Segundo Diniz, o colar da região metropolitana do Rio de Janeiro – o que exclui a capital – está entre 20 e 30 anos à frente das tendências nacionais. Os números mostram que o percentual de católicos no Brasil tem alcançado os índices da região cerca de 20 anos depois. Em 1991, os católicos eram 83% no Brasil, 70% na cidade do Rio de Janeiro e 61,2% no colar da região metropolitana. O censo de 2010 revelou a existência de 65% de católicos no Brasil, 51% na cidade do Rio e 39% no colar da região metropolitana do Rio.

O estudo chega à seguinte conclusão: “Apenas pelo efeito da inércia demográfica haverá crescimento da população evangélica. Se ainda houver atração de fiéis de outras denominações, o crescimento será maior ainda. O fato de haver maior presença entre mulheres e jovens pode ser uma vantagem comparativa dos evangélicos no Brasil”, diz um trecho da análise assinada pelos pesquisadores.

Mesmo nos estados onde há menor redução dos fieis da Igreja Católica, existe a tendência de acompanhar o cenário fluminense. O ponto principal de diferença do colar da região metropolitana para o resto do país é a maior existência de evangélicos em faixas-chaves de idade. Eles se fazem presente, sobretudo, no segmento até 10 anos e nas mulheres de até 39 anos. “Essas mulheres estão no período reprodutivo e os evangélicos são em grande parte mais pobres e têm mais filhos. Se há maior presença de evangélicos entre jovens e mulheres de até 39 anos, significa que ainda vão crescer muito”, explica Diniz. O censo de 2010 mostrou que os evangélicos dessa região passaram os católicos no grupo etário de até nove anos e são maioria entre o sexo feminino até 39 anos.

No Rio, alguns municípios já apresentam percentuais de evangélicos maiores do que católicos. É o caso de três cidades grandes da Baixada Fluminense: Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo.

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Católicos em queda – O primeiro censo feito no século XXI mostrou que a religião católica não acresceu e perdeu fiéis pela primeira vez. Cerca de 1,7 milhão de pessoas deixaram esse segmento religioso. E é como se os cerca de 21 milhões de acréscimo demográfico tivessem optado por outras correntes. Mesmo na área rural, onde os católicos têm peso, houve perdas em números absolutos, enquanto cresceu a quantidade de evangélicos.

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