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Andrade Gutierrez também tinha um departamento de propina

Executivos afirmaram em delações recentes que a empreiteira possuía uma tesouraria administrada pelo doleiro Adir Assad

Por Da redação - Atualizado em 6 fev 2017, 17h01 - Publicado em 5 fev 2017, 11h04

A Odebrecht não era a única empreiteira a ter um departamento inteiro reservado apenas para a administração de propinas e caixa dois. Segundo apuração do jornal Folha de S.Paulo, ex-executivos da gigante Andrade Gutierrez afirmaram, em delações recentes à Operação Lava Jato, que a empresa também apresentava uma tesouraria com os objetivos escusos, administrada pelo doleiro Adir Assad, preso desde agosto de 2016 e também citado nas delações da Operação Calicute – que resultou na prisão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

Segundo os ex-funcionários, todo o dinheiro gerenciado nessa área da empresa, em espécie, contava com contratos falsos com empresas de fachada do doleiro. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, após investigações, chegou à conclusão de que os cofres ilícitos da Andrade Gutierrez chegaram a somar mais de 176 milhões de reais, adquiridos por recibos falsos. Acredita-se que pelo menos essa quantidade de dinheiro vivo tenha circulado na tesouraria ilegítima da empresa.

Um dos funcionários envolvidos na investigação afirmou em sua delação que, antes das negociações serem feitas, a Andrade Gutierrez entrava em contato com o departamento para solicitar o dinheiro a ser repassado para os agentes públicos – casos que envolvem o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), estádios da Copa de 2014 e a Ferrovia Norte-Sul. Há também a suspeita de que algumas obras do Estado de São Paulo, como a construção de linhas do Metrô e o Rodoanel, também tenham recebido parte desta quantia na construção. Os delatores devem ser chamados novamente pelos procuradores para um segundo relato, a fim de confirmar essas informações.

Odebrecht

Em dezembro do ano passado, executivos da empreiteira baiana assinaram acordos de delação premiada para a divulgação de informações detalhadas a respeito do “setor de operações estruturadas”, o tal departamento de administração de propinas. No total, foram mais de 2,6 bilhões de reais pagos em caixa dois em doze países, além do Brasil.

A Andrade Gutierrez

A assessoria da empresa não se manifestou sobre as recentes delações que incluíam os detalhes do esquema de repasse de dinheiro. Os advogados do doleiro Adir Assad afirmam que essas acusações já haviam sido expostas na ação penal em trâmite na Justiça do Rio de Janeiro e, portanto, não haveria nada a ser comentado.

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