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ANA diz que transposição do Paraíba do Sul é viável

Em tom diferente das últimas declarações, presidente da agência federal chegou a se desculpar por ironizar uso da 2ª cota do volume morto

Passadas as eleições, o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, adotou um tom mais ameno para falar sobre a crise hídrica em São Paulo, em audiência à CPI da Sabesp, na Câmara Municipal, nesta quarta-feira. Ele afirmou que a proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de extrair água da bacia do rio Paraíba do Sul está “em vias de se viabilizar” e se desculpou por ter ironizado anteriormente o uso da segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira.

A cinco dias do segundo turno, em uma audiência convocada pela bancada petista na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Guillo afirmou que a captação da segundo reserva técnica profunda do reservatório era a anunciação de uma “pré-tragédia”. Em uma audiência na Câmara Municipal de Campinas (SP), no dia 10 de outubro, o presidente afirmou que era “mais fácil o Palmeiras ganhar o Campeonato Brasileiro” do que essa estratégia dar certo. Nesta quarta-feira, ele se explicou sobre a declaração: “Eu peço desculpas e afirmo ter sido uma frase infeliz dita a um grupo de amigos. Um repórter que estava ao lado ouviu e publicou. Mas em relação aos primeiros relatórios apresentados pela Sabesp, eu mantenho a crítica de que não tinha nenhum embasamento técnico consistente que desse segurança sobre a medida”.

Sobre o uso do Sistema Paraíba do Sul, que abastece principalmente regiões do Rio de Janeiro, Andreu afirmou que é perfeitamente possível conciliar os interesses dos dois Estados, apesar da discordândia entre as duas partes. Em campanha, a presidente Dilma Rousseff (PT) já tinha sinalizado sobre a possibilidade de as duas federações entrarem num acordo quanto à utilização da represa.

Especialistas, no entanto, consideram a transposição do Paraíba do Sul como uma alternativa que não soluciona por completo o problema do desabastecimento no Estado. “É uma solução que já estava prevista em um estudo de aproveitamento de recursos hídricos para a macro metrópole paulista, mas não resolve o problema. A lição de casa para todos é a economia de água, com as operadoras fazendo o seu trabalho com eficiência, a população sendo rigorosa com o gasto de água e as concessionárias reduzindo as perdas físicas”, disse o presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs), Luiz Roberto gravina Pladevall.

Mesmo após um dia de chuva, o volume do Sistema Cantareira voltou a cair nesta quarta – de 11,9% para 11,8% de sua capacidade total. Neste volume, já estão contabilizada a segunda cota do volume morto. O governador Geraldo Alckmin também anunciou hoje a construção de duas estações que vão captar esgoto e produzir água de reuso para abastecer as represas de São Paulo.

(Com Estadão Conteúdo)