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Olavo de Carvalho: os bens, ganhos e dívidas do guru dos Bolsonaro

O autodenominado filósofo incluiu declaração de imposto de renda na peça de defesa no processo contra ele movido por Caetano Veloso

Por João Batista Jr. - Atualizado em 3 jul 2020, 14h40 - Publicado em 3 jul 2020, 14h30

Às voltas com um tumultuado processo judicial movido por Caetano Veloso no qual pode ser condenado a pagar uma multa de 2,8 milhões de reais, Olavo de Carvalho tem se queixado de dívidas e problemas financeiros. Nas alegações finais da defesa, foi anexada a declaração de imposto de renda de 2017 do mentor intelectual da família Bolsonaro. Olavo apresentou esse documento para justificar seu pedido de gratuidade nas custas do processo, algo concedido pela Justiça a pessoas carentes. A ação corre na 50ª Vara Civil do Rio de Janeiro, onde foi estabelecida a multa milionária pelo não cumprimento de uma ordem judicial para Olavo retirar do ar posts considerados ofensivos ao cantor.

O patrimônio declarado dele somava em 2017 um total de 260.533,76 reais. A relação inclui doze lotes no Balneário Maria de Lourdes, em Iguape, litoral de São Paulo, adquiridos 1969 e com valor escritural total de 162.463,65 reais. A casa localizada na Rua Filmore, em Petersburg, na Virgínia, aparece na declaração avaliada em 74 354 reais. Conforme revelou a reportagem de VEJA sobre os bastidores da batalha judicial que tira o sono de Olavo, este imóvel foi vendido em fevereiro de 2020 por 72 500 dólares, meses após o guru receber a primeira condenação na Justiça no processo movido por Caetano Venoso.

Casa na Virgínia: vendida dois meses após a condenação, imóvel constava na declaração de IR de 2017 //Reprodução

Na petição entregue à Justiça no dia 30 de junho para tentar anular ou diminuir drasticamente o valor da multa de 2,8 milhões de reais, o advogado de Olavo, o gaúcho Fernando Malheiros Filho, afirma que Caetano tem uma “salivação” financeira diante da soma da multa aplicada pela Justiça.

No dia 6 de junho, o filósofo postou um vídeo em suas redes sociais em que chamou o presidente de “covarde”, afirmou ter poder para derrubar o governo e pediu ajuda financeira. “Neste dia, aliás, deu-se o pico de menções a Olavo de Carvalho no último ano: foram publicados 190 100 menções ao filósofo, repercutindo vídeo dele com críticas duras a Bolsonaro”, explica André Eler, gerente de relações governamentais da agência Bites.

Pelo menos em 2017 (a declaração de 2018 não consta no processo), o guru estava no vermelho. Olavo declarou ter encerrado aquele ano com uma dívida de 351.577,58 reais em banco, valor superior ao de seus ganhos no período. Foram duas as principais fontes de renda: ele declarou ter recebido 87.565,25 reais pela venda de seus livros, da Editora Record.  A comercialização de seus cursos online tiveram um resultado melhor: 106.599,89 reais, pagos pela Cedet Centro de Desenvolvimento Profissional.

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