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Thomas Traumann Jornalista e consultor de comunicação, é autor de "O Pior Emprego do Mundo", sobre o trabalho dos ministros da Fazenda. Escreve sobre política e economia

“Se eu entregar a cabeça do PG, a próxima que vão pedir vai ser a minha”

Bolsonaro explica o motivo para manter Guedes apesar da pressão do Centrão

Por Thomas Traumann 16 abr 2021, 11h57

O presidente Jair Bolsonaro tem ouvido repetidas queixas dos líderes do Congresso sobre o comportamento do ministro da Economia, Paulo Guedes. Desde que, no mês passado, Guedes descartou cumprir o acordo que ele mesmo propôs de liberar espaço no orçamento para as emendas parlamentares, acusando os congressistas de tentar induzir o presidente a descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e se torna passível de impeachment, a sua saída passou a ser defendida abertamente. Em uma conversa recente, Bolsonaro ouviu dos líderes do Centrão que Guedes não era mais “confiável” e que o Congresso se recusaria a ter o ministro como interlocutor em futuras negociações.

Depois do encontro tenso, um ministro palaciano perguntou ao presidente se não seria mais barato politicamente trocar Guedes. A resposta do presidente, de acordo com o ministro, foi a seguinte:

“Ele (Guedes) fez besteira, mas é leal a mim. Enquanto eles (os parlamentares) estiverem brigando com ele, não estão brigando comigo. Se eu entregar a cabeça do PG, daí a próxima cabeça que eles vão pedir vai ser a minha”.

Na conversa, Bolsonaro disse que pretende vetar parcialmente o orçamento aprovado pelo Congresso e, através de alguma manobra legal, recompor as emendas parlamentares no valor combinado no trato original. Depois, para desanuviar a relação com o Congresso, recriar os ministérios do Planejamento e da Indústria e entregar as novas pastas ao Centrão.

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