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Feita na pandemia, série ‘Amor e Sorte’ atesta poder da simplicidade

Capítulo inicial da nova série da Globo, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, traz mãe e filha que se reconectam por causa da quarentena

Por Raquel Carneiro - Atualizado em 9 set 2020, 11h27 - Publicado em 9 set 2020, 11h22

Uma senhora de 90 anos discute com a filha no carro. A briga cotidiana de família tem contornos mais profundos. A mãe é libertária e cheia de vida, a filha é séria e viciada no trabalho. A primeira vive na bossa do Rio de Janeiro. A outra, na correria de São Paulo. As duas, porém, terão de encarar as diferenças e se enfurnar juntas em um sítio afastado da zona urbana, por causa da quarentena imposta pela pandemia. No debate, a filha reclama que a mãe precisa do isolamento radical, pois não tem respeitado as regras do confinamento. Já a mãe garante que é tudo um grande exagero, já que o álcool da caipirinha e o sol do Rio de Janeiro “matariam”, supostamente, o coronavírus.

Gilda e Lúcia, dupla interpretada por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, mãe e filha na vida real, são um deleite ao longo dos 45 minutos do primeiro episódio de Amor e Sorte, nova minissérie da Globo que estreou na noite desta terça-feira, 8, e está disponível na plataforma Globoplay. Com um texto simples e trama de fácil engajamento, o capítulo resume o que muitos brasileiros viveram neste período. Ao passar mais tempo em casa, familiares tiveram a relação testada pelo excesso de convivência. É de imaginar que proliferaram na vida real brigas causadas por opiniões e personalidades diferentes, assim como laços foram renovados pelo mesmo motivo.

Fernanda Montenegro e Fernanda Torres na série ‘Amor e Sorte’: o convívio forçado dos diferentes na pandemia TV Globo/Divulgação

Rodado no sítio da família, para onde de fato as duas Fernandas se mudaram na quarentena, o capítulo em nada parece uma produção caseira. Primeiro porque a família é composta por veteranos da TV — além das duas atrizes, de química indiscutível, a equipe enxuta nos bastidores foi composta pelo diretor Andrucha Waddington, marido de Torres, e os filhos Pedro e Joaquim Waddington. O segundo motivo e principal charme do episódio é nada mais que a força da simplicidade. Para contar uma boa história, não são necessários efeitos especiais e um excesso de episódios cheios de ganchos para prender o público. Um bom texto, com duas talentosas atrizes e um cenário ao ar livre provou ser um refrescante entretenimento de qualidade.

Fernanda Montenegro e Fernanda Torres na série ‘Amor e Sorte’, rodada na quarentena TV Globo/Divulgação

No total, a série idealizada por Jorge Furtado terá quatro episódios. Os três próximos serão protagonizados por Caio Blat e Luisa Arraes; Taís Araujo e Lázaro Ramos; e Fabiula Nascimento e Emilio Dantas. Se seguir a linha do episódio de abertura, a série tem muito potencial pela frente.

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