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Entre grotesco e cômico, ‘Maligno’ revive lado sanguinário de James Wan

Novo filme do diretor de 'Invocação do Mal', que acaba de chegar a HBO Max, se afasta do sobrenatural para dar palco ao terror gráfico

Por Marcelo Canquerino Atualizado em 19 out 2021, 11h18 - Publicado em 19 out 2021, 10h50

A vida de Madison (Annabelle Wallis) aparentemente não poderia piorar. Grávida e presa nas garras de um relacionamento violento e abusivo, ela passa a presenciar assassinatos em tempo real durante visões em sua mente. Logo o assassino, chamado Gabriel, começa uma trilha de sangue e a jovem descobre que ele tem ligação com seu passado. A trama de Maligno, que chegou à HBO Max na sexta-feira, 15, marca o retorno de James Wan à direção de filmes de terror sanguinários e gráficos. Deixando de lado o horror mais atmosférico e sugestivo pelo qual fez sucesso na última década com Invocação do Mal, Wan não tem medo de se entregar aos exageros com mortes elaboradas e situações absurdas — que têm o poder, mesmo que involuntário, de arrancar algumas risadas. 

Apesar do flerte suave com o sobrenatural, o longa dá muito mais palco para a matança desenfreada e o clima de mistério que envolve o passado de Madison e Gabriel. Pouco a pouco, Maligno se torna quase um slasher, vertente para lá de explícita do horror, em que pessoas são perseguidas por assassinos mascarados. Em entrevista ao site Bloody Disgusting, o diretor admitiu algumas inspirações nos giallos italianos, produções das décadas de 1960 e 70 que traziam histórias sobre serial killers e antecederam os slashers nos Estados Unidos. A influência, porém, foi toda trabalhada à la James Wan. “Eu sou um grande fã de giallo. Quer dizer, não há como negar isso. Sempre alimentei o desejo de fazer um filme nesse estilo, mas a minha própria versão, do meu jeito.”

Protagonista de 'Maligno', novo terror de James Wan.
Protagonista de ‘Maligno’, novo terror de James Wan. Warner Bros./Divulgação

A história também passa pela fase da investigação criminal, e aqui perde um pouco de força em razão das atuações tão galhofas que aparentam ser propositalmente cômicas. O detetive Kekoa Shaw (George Young) e sua parceira, responsáveis pelo caso, ficam deslocados e poderiam facilmente ter sido descartados do enredo. Já a irmã de Madison, que tem um papel importante na trama, fica fadada a momentos que parecem ter saído de uma novela mexicana — com direito a música chocante e close em sua expressão aturdida após a revelação de um segredo familiar. 

Fazendo uma grande miscelânea de gêneros, James Wan também oferece ao espectador sequências de ação fortes. Parte do terceiro ato (sem spoilers!) é uma grande cena bem coreografada com mortes grotescas, ossos se quebrando e sangue jorrando. Maligno engrossa o filão dos filmes de terror pipoca, que não têm pretensão além de entreter, em vez de explorar grandes questões da humanidade. Nisso, vá lá, revela-se eficiente. No mínimo, há de se reconhecer que é preciso coragem para tirar do papel uma ideia tão bizarra — mas isso, o diretor tem de sobra. 

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