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Ricardo Rangel

‘Discussão delirante, esdrúxula, anacrônica, contraproducente’

Irretocável, Luana Araújo enterrou o negacionismo e a fábula do "tratamento precoce". E arrasou Jair Bolsonaro.

Por Ricardo Rangel Atualizado em 2 jun 2021, 18h12 - Publicado em 2 jun 2021, 17h06

Luana Araújo não piscou, não gaguejou, olhou firme no olho do inquiridor, e não deixou pergunta sem resposta.

Esclareceu por que o modelo de testagem escolhido pelo governo está errado e não pode funcionar.

Explicou com clareza, minuciosamente, por que as medidas de isolamento e o uso de máscara são absolutamente necessários.

Mostrou que a ideia de “imunidade de rebanho natural” não faz sentido: além de o custo em vidas ser inaceitável, a capacidade de mutação do coronavírus é muito alta, capaz de criar novas cepas mais rápido do que a coletividade é capaz de alcançar a imunidade.

Descreveu o método científico, explicou o que é teste duplo-cego randomizado, ressaltou a importância da equivalência entre o grupo testado e o grupo de controle etc. etc.

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Deixou claro que todo profissional de saúde é favorável a tratamento precoce — desde que tal tratamento exista. Mas que tal tratamento não existe.

Mostrou a diferença entre a autonomia pessoal do médico para (com a anuência do paciente) prescrever o que quiser, e a política pública de saúde, que tem a obrigação de seguir parâmetros científicos e recomendar medicamentos com eficácia comprovada — incidentalmente, desmascarou o hábito da tropa de choque bolsonarista de tentar misturar as duas coisas.

Enfim, explicou, diligentemente, uma série de coisas que até agora ninguém  — espantosamente — tinha feito. E calou a tropa de choque.

E, apesar de não dizer isso expressamente, não deixou dúvida de que seu nome foi vetado pelo Palácio do Planalto e que Jair Bolsonaro interfere pessoalmente no Ministério da Saúde para impedir a formulação de uma política que tenha base científica, maximizando o número de mortes.

Luana Araújo foi irretocável.

E arrasou Jair Bolsonaro e sua conduta.

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