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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Uma formidável coleção de bobagens!

Leio na Folha Online o que segue. Volto em seguida: Deputado federal defende na TV agressões físicas para mudar “filho gayzinho” O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), reeleito para a próxima legislatura, afirmou que caso os pais queiram mudar o comportamento de um filho homossexual, é necessário recorrer a agressões físicas. A “receita” do parlamentar […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 13h31 - Publicado em 25 nov 2010, 19h17

Leio na Folha Online o que segue. Volto em seguida:

Deputado federal defende na TV agressões físicas para mudar “filho gayzinho”

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), reeleito para a próxima legislatura, afirmou que caso os pais queiram mudar o comportamento de um filho homossexual, é necessário recorrer a agressões físicas. A “receita” do parlamentar foi dada durante um debate no programa “Participação Popular”, na TV Câmara, que discutiu a “Lei da Palmada” – projeto de lei que proíbe qualquer punição corporal – na última quinta-feira (18). “Se o filho começa a ficar assim meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele”, afirmou. Confira a declaração abaixo.

Bolsonaro é membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara. Ele manteve sua posição em entrevista à Folha. “O pai tem o direito de dar umas palmadas no filho dele. Se o garoto anda com maconheiro, ele vai acabar cheirando, e, se anda com gay, vai virar boiola com toda certeza. Nesse momento, umas palmadas nele coloca o garoto no rumo certo”, disse por telefone. Ele ainda afirmou que não é “um caçador de gays”, mas acha um “absurdo” não ser permitido fazer piadas sobre eles. “Não venham querer se impor, achar que são uma classe a parte, que são privilegiados”.

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Comento
Antes que comente as estultices de Bolsonaro, algumas considerações.

Escrevi aqui longamente sobre a PL 122, a tal lei que criminaliza a homofobia, e seus absurdos, que violam, entendo, a Constituição e tentam criar uma casta de pessoas — em vez de integrá-las à sociedade. Há algum tempo, critiquei a tal lei da palmada, que praticamente estatiza as criaças, confundindo tapa no traseiro com espancamento. Exageros produzem absurdos. Li outro dia no Estadão que um rapaz de 18 anos foi preso porque flagrado beijando outro de 13 no saguão de um  cinema, local público. Os dois se assumem homossexuais. O maior de idade foi em cana, acusado de “estupro de incapaz”.  Nem sei se continua na cadeia, com o peso que significa a pecha de “estuprador” num ambiente como aquele. Sob o pretexto de se combater o molestamento sexual de crianças e adolescentes, beijo agora é estupro. É uma estupidez!

Nesse caso, notem que o excesso de proteção ao “incapaz” acaba esbarrando, de algum modo, no preconceito: ou um menino de 18 seria acusado de “estupro” por estar beijando no saguão de um cinema uma garota de 13, que ali estivesse, como era o caso do rapaz, por livre e espontânea vontade? Duvido! A lei da homofobia é um exagero contraproducente. A lei da palmada é um exagero contraproducente. A lei que transforma beijo em estupro é um exagero contraproducente. Todas essas “proteções” têm em comum uma direção errada: partem do princípio  de que se pode mudar a sociedade, de que se podem mudar os costumes, de que se pode fazer uma revolução de comportamento quase por decreto. Agora vamos ao deputado.

As estultices ditas por Bolsonaro colaboram com esses extremismos legiferantes, que acabam agredindo direitos individuais e universais sob o pretexto de proteger minorias. Com a mesma energia com que aponto o caráter autoritário dessas leis, repudio essa coleção de grosserias. E não o faço porque me converti ao “outro-ladismo”, que tanto repudio, ou ao juízo “nem-nem”. Naquele mesmo texto em que escancaro o caráter autoritário da PL 122, deixei claro que não considero que o sujeito é gay por opção — até fiz uma ironia, afirmando que “homossexualidade não pega”, já que não é doença. Disse-me ainda favorável à união civil e, a depender do caso, à adoção de crianças por parceiros gays. E isso nada tem a ver com uma lei que possa impedir as pessoas ou as religiões de dizer o que pensam a respeito.

As palavras deste senhor são asquerosas. Para quase não variar, lá está ele metendo os pés pelo cérebro, falando bobagem às pencas, provocando um efeito contrário ao supostamente pretendido. Os petralhas poderiam dizer: “Vocês estão do mesmo lado!” Uma ova! Nem no mérito nem nos desdobramentos. Não estamos do mesmo lado porque eu não acho que a palmada possa fazer um gay deixar de ser gay — eu, de fato, acredito que não existe um “que fazer” nesse caso. Recomendo aos pais que amem e aceitem seus filhos como são, deixando claro que há o caminho da dignidade e da indignidade na hetero e na homossexualidade. E não estamos do mesmo lado também porque eu combato a PL 122, e Bolsonaro é um desses que fazem essa lei parecer necessária, justa e democrática.

Ele deveria pedir desculpas pelas asneiras que disse. Nem precisa ser aos homossexuais. Ao homo sapiens já está de bom tamanho. Arre!!!

PS – Ah, sim: eventuais defensores das opiniões expressas pelo deputado nem precisam declarar que nunca mais visitam o meu blog. É um favor que me fazem. Quanto menos o conservadorismo se confundir com a burrice, melhor!!! Se esperavam encontrar acolhida aqui para porcarias como essas, estavam na página errada. Este é um blog que defende direitos!

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