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Romão no Roda Viva e sua rede de amigos

Na próxima segunda-feira, o programa Roda Viva, da TV Cultura, debate a classificação indicativa, outro nome da censura prévia. Não haverá uma entrevista, no formato tradicional do programa, mas um debate. Entre os convidados, está José Eduardo Romão, advogado, diretor do Dejus – Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça. Os […]

Na próxima segunda-feira, o programa Roda Viva, da TV Cultura, debate a classificação indicativa, outro nome da censura prévia. Não haverá uma entrevista, no formato tradicional do programa, mas um debate. Entre os convidados, está José Eduardo Romão, advogado, diretor do Dejus – Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça. Os demais debatedores, informa o site do programa, são os seguintes: “José Gregori, ex-ministro da Justiça e presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos; Guilherme Canela, cientista político e coordenador de relações acadêmicas da Andi – Agência de Notícias da Infância; Demétrio Magnoli, geógrafo, especialista em relações internacionais e editor do jornal “Mundo, Geografia e Política Internacional”; Walter Ceneviva, advogado, consultor jurídico da Abra – Associação Brasileira de Radiodifusores; Antonio Claudio Ferreira Netto – advogado e consultor da Abert; José Roberto Whitaker Penteado, jornalista, diretor do Instituto Cultural da ESPM”.

Muito bom. Adiante. Romão, como vocês sabem, é o principal militante dessa causa, junto com as ONGs, sobre as quais ele tem, se quiser, poder de vida ou morte. Mas isso eu já escrevi (ver abaixo). O mais interessante neste post é outra coisa. Romão é um dos líderes do chamado “Direito Achado na Rua”, que é uma vasta rede, presente sobretudo na UnB, a Universidade de Brasília.

Vejam o e-mail que está circulando em Brasília, assinada por um certo “José Geraldo”. Ele me foi enviado por um dos meus correspondentes do curso de direito da UnB:

“Caríssimos,
O nosso colega José Eduardo Romão participará do Programa Roda Viva na próxima 2ª feira, dia 25. O programa vai ao ar às 22.30 e é transmitido pela TV Cultura (TV Nacional). O tema, certamente, será a Classificação Indicativa. Creio que a entrevista vai se constituir um momento crucial para a definição dessa política pública fortemente rejeitada pela ABERT (Rede Globo) que tem se valido de todos os meios para bloqueá-la. Será importante acompanhar a transmissão da entrevista porque, a meu ver, o Romão representa o seu “rubicão” (De bello galico).
Um abraço,
J.G.”

Voltei
Muito, muito interessante. “Rubicão”, é? É uma referência a Júlio César. O Rubicão era um pequeno rio que separava a Itália da Gália Cisalpina. O Senado romano declarava traidor qualquer um que o atravessasse à frente de tropas ou mesmo acompanhado de alguns poucos soldados. Cesar, que começou a pôr fim à República Romana e criou as pré-condições para o Império, mandou o Senado — e, portanto, a legalidade — às favas e cruzou o rio à frente das tropas. E disse uma frase que entrou para a história: Alea jacta est (a sorte está lançada). A expressão está em latim. Ele teria se manifestado em grego.

Segundo a rede de amigos de Romão, este é seu Rubicão, né? Será que ele quer pôr fim à República? Está se candidatando a tirano? Está cuidando das condições prévias do Império Petista? Então tá. Vamos lá, moçada. Vamos garantir o Ibope do Roda Viva e fazer muitas perguntas a Romão.

Correção
O site do Roda Viva traz o que considero um juízo de valor, favorável à classificação indicativa (de modo intencional ou não), e que também é um erro. Está escrito lá: “Nesta segunda-feira, o Roda Viva apresenta um debate sobre as novas regras da Classificação Indicativa apresentada pelo Governo. A proposta torna a classificação mais rígida aos reajustar os seus termos e apresenta critérios mais objetivos na avaliação dos conteúdos.”

Atentem para o que está em negrito. Está errado. Basta ler o manual à disposição dos novos censores para verificar que os critérios nunca foram tão SUBJETIVOS. E notem no e-mail: o objetivo explícito é mesmo enquadrar a Rede Globo, que está sendo vista como a RCTV do governo Lula. Querem pegar a líder de audiência para dar o exemplo. Como Chávez.

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