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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Porta da Frente: quem debate tem de dizer nomes

Gregório Duvivier, colunista da Folha, como sou, escreve hoje no jornal: “Toda semana um colunista da “Veja” escreve sobre mim. O truque é baixo: colocam Porta dos Fundos no título para atrair cliques, põem meu texto na íntegra para quem quiser lê-lo sem que nem eu nem a Folha ganhemos nada com isso e enchem […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 02h59 - Publicado em 29 set 2014, 07h11

Gregório Duvivier, colunista da Folha, como sou, escreve hoje no jornal:
“Toda semana um colunista da “Veja” escreve sobre mim. O truque é baixo: colocam Porta dos Fundos no título para atrair cliques, põem meu texto na íntegra para quem quiser lê-lo sem que nem eu nem a Folha ganhemos nada com isso e enchem de menções à ‘ameaça comunista que o Brasil está sofrendo desde que se tornou uma Venezuela graças à ocupação petralha’. Clique, clique, clique.”

Já me enviaram a coluna: “Olhe o que o Gregório está falando de você…”. Não está, não! Não de mim! A confusão acontece porque ele cita a palavra “petralha”, que criei, foi parar em dicionário e é de uso livre. De resto, pergunto: existem mesmo idiotas que acusam o PT de ser uma ameaça comunista? Ou esses são os idiotas que Gregório gostaria que existissem? Há muitos anos, eu combato no PT é a “ameaça privatista” — os petralhas privatizaram o estado, privatizaram a Petrobras, privatizaram a Eletrobras, privatizaram os fundos de pensão, privatizaram o humor…

O humorista não está falando de mim, entre outras evidências, porque me referi a ele no blog uma única vez, como comprova a área de busca na minha página. Era um texto contra a censura que alguns queriam impor ao site de humor ao qual ele pertence. No post, elogio o seu desempenho como ator.

O “Porta dos Fundos” não me interessa. Achei bacana no início; depois, ficou óbvio e começou a “prender os suspeitos de sempre”, em busca de cliques. E, como não?, de patrocínio. Eu aplaudo a turma por isso. “Ah, vamos sacanear os católicos”; “agora os evangélicos”; “agora um pouco de homofobia, mas na versão progressista…” De resto, eu não usaria o “Porta dos Fundos” para conseguir cliques. Tenho sete milhões de cliques pela porta da frente.

Já escrevi aqui: humor é humor. Existem o engraçado e o sem graça. Ideologizá-lo é uma bobagem. E sempre será preferível ter Gregório Duvivier fazendo graça voluntária a tê-lo fazendo a involuntária, como esta:
“No entanto, independentemente da droga ou da ideologia consumida (e da certeza de que toda ideologia é uma droga), me espanta quando classificam de esquerdistas pautas tão universais quanto a equidade de gêneros e raças, o direito da mulher ao aborto, o direito universal à moradia, à saúde ou à educação. Ser contra a garantia desses direitos universais não é posição política, é falta de serhumanidade.”

Só pode estar brincando quem afirma que há pessoas contra o “direito universal à moradia”. Quem é contra? Os que combatem os métodos violentos de Guilherme Boulos, por exemplo, que, de resto, atentam justamente contra os pobres que não pertencem a seu movimento? Só pode estar contando uma piada, do gênero sem graça, quem sustenta que ser contrário ao aborto significa opor-se a um valor universal, do mesmo paradigma da igualdade entre as raças. Se um dia ele quiser pensar o tema a sério, há bibliografia de primeira a respeito. Como efeito colateral, aprende-se um pouco de história. Mas isso é lá com ele. A propósito: apoiar cotas raciais é sinônimo de defesa da igualdade entre as raças? Seria, então, a Folha, em que ele e eu escrevemos, racista?

Gregório faria melhor se nominasse seus contendores. “Ah, mas não quer lhes dar cliques…” Arrogância boboca. Por um tempo ao menos, empresto meus sete milhões a ele e não me sinto mal por isso.

PS – Alô, comentaristas. Como veem, estou fechando a área de comentários. Esse tipo de debate acaba enveredando para o bate-boca entre leitores. Para elogios rasgados e críticas azedas ao “Porta dos Fundos” ou ao humorista em questão, procurem o site da turma. Dispenso esses cliques. Só achei necessário pôr os pingos nos is, dando, como sempre, nomes aos bois. POR FAVOR, NÃO RECORRAM À ÁREA DE COMENTÁRIO DE OUTROS POSTS PARA TRATAR DESSE ASSUNTO. TAIS COMENTÁRIOS NÃO SERÃO PUBLICADOS.

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