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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

O caso Petrobras-WTorre: procuradores tentam ignorar que o estatismo é a mãe da safadeza

Não é verdadeira a sugestão de que a corrupção se alastra igualmente entre estatais e empresas privadas; é preciso saber qual é a origem da propina

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 8 fev 2017, 17h45 - Publicado em 4 jul 2016, 21h27

As formas de assaltar o bolso do brasileiro são múltiplas, e todas elas têm uma só origem. Peguem o caso da construção do Cenpes, o Centro de Pesquisas da Petrobras. Segundo a apuração da Força-Tarefa, houve mais ali do que a simples cobrança de sobrepreço e o pagamento de propina a agentes públicos. Também se teria pagado uma forma particular de capilé a agente privado.

Por quê? A WTorre teria oferecido um preço mais competitivo para tocar a obra, que, no entanto, ficou a cargo de um consórcio reunindo Carioca Engenharia, OAS, Construbase, Construcap e Schahin Engenharia. E, nesse caso, como é que aquele que cobrava mais acabou ganhando a obra na disputa com quem cobraria menos? Simples! Segundo o Ministério Público Federal, o consórcio pagou R$ 18 milhões para a WTorre deixar o certame.

Entenderam? Se a coisa se confirmar, a empreiteira ganhou esse dinheiro sem tirar o traseiro da cadeira. É ou não é uma maravilha? Não fosse a delação premiada, a empresa, que nega ter participado da falcatrua, nem mesmo seria incomodada.

Procuradores concederam uma entrevista coletiva. Ainda devo voltar ao assunto. Para não variar, falaram mais do que deveriam e fizeram também um discurso político, o que é um erro. Mas nem entro nisso agora. Deixo para outro post.

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O procurador Roberson Henrique Pozzobon afirmou que a corrupção não se restringe a agentes públicos e afeta também  o setor privado. E citou justamente o caso da WTorre.

Nem precisava! O agente público, afinal de contas, está nessa história desde o começo. E é claro que, depois de um certo tempo, também os agentes privados acabam entrando na dança; passa a haver uma relação de compadrio.

Considero essa abordagem de Pozzobon essencialmente errada porque fica parecendo que o roubo ou pertence à natureza humana ou existe igualmente nas empresas públicas e privadas. E isso está mais para ideologia do que para fato.

Alguém acha que uma petroleira privada teria sido submetida ao achaque que vitimou a Petrobras? Creio que não! Alguém acha que os agentes privados, quando negociam entre si, embutem o “custo propina”? Não creio…

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A questão é saber onde está o elemento gerador da roubalheira. E é evidente que está no fato de que, numa empresa pública ou numa obra feita pelo Estado, quem paga a conta é a população.

Acho que o procurador erra quando sugere não haver diferença entre empresa pública e empresa privada nesse particular. A tese pode ser útil para eles tentarem emplacar as 10 polêmicas medidas contra a corrupção, mas é falsa.

Vendam as estatais e aí veremos, então, quem tenta corromper quem e quem tenta extorquir quem.

O tamanho do Estado é a mãe da safadeza.

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