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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Alô, bolsonarismo! Cuidado para não se afogar na saliva da incivilização

A brutalidade dos partidários do deputado não encontra paralelo nem nos petralhas

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 30 jul 2020, 22h26 - Publicado em 23 jun 2016, 18h01

Ah, sim!

A violência retórica e a boçalidade das hostes bolsonarianas conseguem, como de hábito, ser superiores à brutalidade petista, que conheço há mais de 15 anos — antes de a turma chegar ao poder. Não me sinto herói por isso nem me quero dono da resistência. Já disse que não sou candidato a aiatolá.

Deveriam ouvir o seu líder. Eu o vi na televisão, numa entrevista, em desespero. Pela primeira vez, desafinou, falou fino, o lábio tremeu. Está com medo. Pela primeira vez, a sua pantomima brutalista pode ter consequências.

E consequências que decorrem da democracia e da civilidade. Como já afirmei aqui tantas vezes — e é um norte do meu pensamento —, o regime democrático é aquele em que nem tudo é permitido. Só nas tiranias tudo é possível. E é por isso que a ideia do rei filósofo, o bom tirano de Siracusa, não deu certo, né?

Não tenho queixo de vidro. Podem bater à vontade. Assim que me oferecerem um sentido virtuoso para as falas de Bolsonaro — incluindo aquela em que diz, numa entrevista a jornal, que ele próprio não estupraria Maria do Rosário porque a considera feia —, posso reconsiderar a minha posição.

As conquistas da civilização, ainda que esgrimidas por meus adversários, não são deles. Também são minhas.

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Já escrevi aqui o que penso da decisão do Supremo: está correta. A minha coluna de amanhã na Folha também trata do assunto.

E vamos parar de besteira: ninguém chamou, nem eu, Bolsonaro de estuprador. A acusação é que ele fez a apologia do estupro. E fez. Não de todas as mulheres. Só daqueles que ele admira.

O fato de petistas e bolsonaristas me odiarem não significa, é evidente, que estou certo porque hostilizado por dois extremos. Isso significa apenas que estou sendo hostilizado por dois extremos.

Como todo mundo, luto pelo mundo quero. Mas estou pronto para o que há.

Sempre que alguém me diz “no mundo ideal…”, eu aparteio: “Só temos este!”.

Força aí, tigrada! O que vocês pensam a meu respeito, eu já sei. Quero agora que tentem dar um sentido virtuoso à fala de seu líder.

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