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Secretário especial de Temer protagoniza caso de nepotismo cruzado

Chefe da SAE empregou filho do então presidente do INSS e, por outro lado, viu sua irmã ser indicada a um cargo de confiança no instituto previdenciário

Por Gabriel Mascarenhas - Atualizado em 22 maio 2018, 15h46 - Publicado em 22 maio 2018, 06h27

O chefão da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da presidência da República, Hussein Ali Kalout, valoriza o conhecimento, as amizades e a família.

Professor de Harvard, ele chegou ao governo por uma escolha pessoal de Michel Temer. E ao ascender, não esqueceu dos seus chegados.

Kalout arrumou um emprego para Gustavo Bandeira Lopes, filho do ex-presidente do INSS Francisco Lopes, que caiu por ter contratado uma empresa de informática que funcionava no endereço de uma distribuidora de bebidas.

Assim que Lopes assumiu o instituto de previdência, em dezembro do ano passado, Gustavo apareceu nos quadros da SAE.

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Hussein conhecia o pai de seu novo funcionário há uma década. Eles trabalharam juntos no STJ.

Mas a generosidade só prospera em via de mão dupla.

Por isso, em fevereiro deste ano, Francisco Lopes pediu ao Ministério do Desenvolvimento Social, pasta à qual o INSS está vinculado, autorização para nomear Fátima Ali Kalout a um cargo de confiança em seu gabinete.

Como o sobrenome sugere, trata-se da irmã de Hussein, o velho conhecido que havia dado uma forcinha para seu filho.

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O nepotismo cruzado não vingou por pouco.

O Ministério do Planejamento proibiu a contratação de Fátima e justificou que tal posto só poderia ser ocupado por um servidor de carreira.

Resultado, sobrou para Gustavo.

Exatamente um mês depois de sua irmã ser indicada – e vetada -, Hussein demitiu o herdeiro do então presidente do INSS.

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Embora tenha sido interrompido na reta final, o roteiro do toma lá, dá cá protagonizado por um homem de confiança de Temer é um prato cheio para a Comissão de Ética da presidência da República.

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