Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A última transgressão de Pazuello na ativa

Interlocutores do comando da caserna defendem 'punição exemplar' para presença do general em manifestação bolsonarista

Por Robson Bonin Atualizado em 24 Maio 2021, 10h06 - Publicado em 24 Maio 2021, 06h29

Está no Anexo 1 do Regulamento Disciplinar do Exército: é transgressão “manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”.

Eduardo Pazuello, general e atual adido na Secretaria-Geral da Exército, sabe naturalmente disso. Na caserna, interlocutores do Comando do Exército dizem que Pazuello foi ao ato político de Jair Bolsonaro no Rio ciente de que estava “cruzando uma linha sem volta”.

De todos os prejuízos institucionais causados por Pazuello ao Exército até hoje, esse foi o mais contundente, na visão de militares ouvidos pelo Radar. Pilotar uma gestão desastrosa que permitiu a morte de milhares de brasileiros na pandemia é um capítulo do lado “civil” da biografia do general que ainda será repassado pela história.

No caso do regramento militar, Pazuello sabia, segundo seus colegas de farda, que não poderia estar onde esteve. O fez em completo desapreço pela hierarquia e em desprezo ao comandante Paulo Sérgio, avaliam esses militares.

Quando Fernando Azevedo ainda era ministro da Defesa, quadros da caserna foram destacados para socorrer Pazuello. Pretendia-se naqueles idos, defender o “general” de uma desmoralização então já evidente com a abertura de investigação pelo STF para apurar negligência no Ministério da Saúde.

Continua após a publicidade

LEIA TAMBÉM: Leniência militar produziu Bolsonaro-Pazuello

Pazuello já era rejeitado por setores da caserna, mas entendia-se que era necessário lutar por ele porque, afinal, era um general. E generais não podem ser deixados à própria sorte. Bolsonaro, como se sabe, demitiu Azevedo da Defesa e instalou Walter Braga Netto em seu lugar por não aceitar o lugar onde o então ministro da Defesa “encostou” Pazuello.

O ministro e general da reserva avisou outro dia que a cobra pode voltar a fumar no país se for preciso. Para a cúpula do Exército, a cobra fumou neste domingo, quando um subordinado direto da cúpula da instituição discursou num palanque de motoqueiros no Rio. Até este domingo, os militares limitavam-se sempre a dizer que o pessoal da ativa não se envolvia em política. Pazuello deu esse passo.

“Se era isso que Pazuello queria, ele conseguiu. Sua obra de desmoralização do Exército está completa. Só que o Exército não se desmoraliza. Pazuello é que terá punição exemplar”, diz um interlocutor da caserna ouvido pelo Radar. “A reserva é o caminho provável para o general Pazuello”, complementa.

 

Continua após a publicidade
Publicidade