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Pega na mentira

Eram próximas de zero as chances de Eduardo virar embaixador

Por Helena Chagas Atualizado em 30 jul 2020, 19h22 - Publicado em 24 out 2019, 11h00

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) não desistiu da embaixada brasileira em Washington, como anunciou no plenário da Câmara e noticiou toda a imprensa. Na verdade, ele foi desistido. Nas últimas semanas, foi ficando claro para o Planalto que, apesar dos esforços do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, eram próximas de zero as chances de seu nome ser aprovado pela Casa na atual conjuntura. A implosão do PSL, ainda que por razões alheias, veio a calhar para a família Bolsonaro como pretexto para a suposta desistência do deputado.

Dos males, o menor. Na avaliação governista, o preço a pagar com a confusão instaurada para fazer de Eduardo líder de um partido em chamas – mas que, na visão do bolsonarismo, precisa ser conquistado por seu grupo – ainda é menor do que uma acachapante derrota do presidente da República no plenário do Senado com a recusa do nome de seu filho para a mais importante embaixada do Brasil no exterior.

Mas o episódio deixa sequelas políticas e diplomáticas e representa mais um desgaste para Jair Bolsonaro, que começou no dia em que anunciou a ideia de nomear Eduardo e falou em alimentar os seus com filet mignon. Até sua militância digital ficou dividida em torno do assunto. Pior que isso, em mais de três meses de vai-e-vem em que o filho do presidente circulou como futuro embaixador, sem que seu nome tivesse sequer sido enviado formalmente, a credibilidade do governo foi duramente testada. E não passou na prova.

Mais uma vez, ficou claro que o que o presidente da República diz não se escreve. Dia sim, outro também, ele reafirmava a indicação e elogiava o filho.  Semana passada, quando circularam as primeiras notícias sobre a retirada da indicação de Eduardo, desmentiu pessoalmente. Está certo que todo presidente da República, em sua época, joga lá os seus caôs e fakenews para a platéia. Mas Bolsonaro exagera.

O tema credibilidade, aliás, tende a se tornar pauta explosiva com a permanência de Eduardo no Brasil, legitimada pelo último round no ringue do PSL. O filho do presidente conquistou a liderança e provocou a reação de colegas como Delegado Waldir e Joice Hasselmann, que começaram a entregar os podres do partido e da família presidencial. O mais grave deles, a acusação de Joice de que assessores de Bolsonaro e dos filhos, instalados no Planalto, são responsáveis por perfis falsos que atacam adversários e disseminam fakenews nas redes.

Prato cheio para a CPI das Fakenews, que vinha ensaiando mas ainda não havia se tornado perigo concreto para o Planalto. Agora virou. E não se sabe se um presidente que não tem articulação para aprovar o nome do filho no plenário do Senado terá para barrar uma CPI que o ameaça.

 

Helena Chagas é jornalista 

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