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Mais uma estupidez de Bolsonaro

Contra Fernández e Rodrigo Maia

Por Ricardo Noblat 9 dez 2019, 07h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h16
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Pouco mais de 2.860 quilômetros separam Brasília de Buenos Aires. Distância que se percorrida de carro levaria 35 horas. Mas se o tempo político fosse usado como medida, a distância entre as duas capitais pelo menos ontem pareceria quase instransponível.

Numa, o presidente Maurício Macri e seu sucessor Alberto Fernández rezaram juntos na Basílica de Luján, o maior santuário em homenagem à Virgem Maria na Argentina, e depois se abraçaram. Amanhã será o primeiro dia de governo de Fernández.

Na outra, o governo brasileiro confirmou que não mandará representante à cerimônia de posse do novo presidente argentino. O país agora sob o comando de Fernandéz é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China e dos Estados Unidos.

Bolsonaro meteu-se na eleição argentina para tentar reeleger Macri. Pediu votos e ameaçou rever a parceria entre os dois países caso Macri fosse derrotado. Durante a campanha, Fenández visitou Lula, preso em Curitiba, e defendeu sua libertação.

Na semana passada, acompanhando de líderes de vários partidos, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, reuniu-se com Fernández em Buenos Aires e ouviu dele que Brasil e Argentina são países irmãos e devem conviver fraternalmente.

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Bolsonaro já anunciara que não iria à posse de Fernández. Escolheu o ministro Osmar Terra, da Cidadania, para representá-lo. Depois da reunião de Maia com Fernández, decidiu não mandar ninguém. Que vá o embaixador brasileiro em Buenos Aires.

O gesto de Bolsonaro é um recado para Fernández e Maia. Ele reprovou o encontro dos dois. Sentiu-se afrontado – embora tenha sabido com antecedência da viagem de Maia. Aproveitou a ocasião para jogar ainda mais duro com Fernández.

Com qual objetivo? Sabe-se lá… Bolsonaro bateu forte nos governos de Lula e de Dilma por se envolverem nas eleições de países vizinhos do Brasil. Uma vez que se elegeu presidente, comporta-se da mesma maneira e até com mais desenvoltura.

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Em janeiro último, tão logo empossado, em sua primeira viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro declarou em discurso nos jardins da Casa Branca seu apoio à reeleição do presidente Donald Trump. E fez todas as concessões que pôde para agradar seu ídolo.

Trump retribuiu no último dia 2: “O Brasil e a Argentina têm promovido uma forte desvalorização de suas moedas, o que não é bom para nossos fazendeiros. Portanto, restabelecerei as tarifas de todo aço e alumínio enviados aos EUA por esses países”.

Sequer telefonou a Bolsonaro para evitar que ele fosse pego de surpresa com o anúncio postado no Twitter. Bolsonaro bravateou que poderia telefonar para Trump, mas não ousou fazê-lo. E se não fosse atendido? Então preferiu desculpá-lo: “É coisa de eleição”.

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