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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Em meia hora de conversa, Bolsonaro mente cinco vezes

E não se envergonha...

Por Ricardo Noblat Atualizado em 2 mar 2021, 09h28 - Publicado em 2 mar 2021, 09h00

Ao reunir-se, ontem, com um grupo de devotos nos jardins do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro contou, pelo menos, cinco mentiras. A saber:

“Esses [remédios] de tratamento precoce, ivermectina, hidroxicloroquina, Annita, seja o que for… não tem efeito colateral, por que não tomar?”

No caso da hidroxicloroquina e da ivermectina, os efeitos colaterais constam na bula dos próprios medicamentos.

“Quando tem matéria da imprensa que fala de tratamento [precoce] em outros países, mandamos para o embaixador confirmar, né. E alguns países têm confirmado tratamento precoce que tem dado certo.”

Ao aprovar vacinas para uso emergencial em 17 de janeiro último, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que não existe tratamento precoce para a Covid. Está no site dela. A Organização Mundial da Saúde distribuiu mais estudos que negam a existência de tratamento precoce com bons resultados.

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“Se não me engano 9 estados [na verdade, 8 estados e o Distrito Federal] estão fechando tudo. Não deu certo ano passado.”

Não estão fechando tudo. Igrejas, escolas particulares e até academias de ginástica permanecem abertas em vários lugares. Segundo os mais respeitados epidemiologistas do país, a queda no número de mortes e de casos no segundo semestre do ano passado se deveu a medidas mais duras de isolamento. O recrudescimento da pandemia nos dois primeiros meses de 2021 tem a ver com o relaxamento das medidas restritivas.

“Alguns criticam? Mas só podia comprar [vacinas] depois de Anvisa autorizar. Não é comprar qualquer coisa que aparecer. Começou essas vacinas a serem certificadas pela Anvisa e estamos comprando”.

Pressionado, o governo brasileiro negociou a compra de vacinas antes mesmo de sua aprovação pela Anvisa. Foi o caso da AstraZeneca e da Coronavac. Em fevereiro, assinou contrato para comprar a Covaxin, vacina que ainda está em fase de testes na Índia.

“Tem um estado que, por milhões de habitantes, mais tem óbito é São Paulo, o que fez mais lockdown”.

É o Amazonas o Estado proporcionalmente com o maior número de óbitos. Ali, por determinado tempo, deu-se o lockdown mais duro. São Paulo tem o governador que Bolsonaro mais detesta e não quer como adversário nas eleições do próximo ano.

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