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Trump em alto risco: perder vaga na Suprema Corte e eleição

A Covid-19 pegou o presidente justamente na hora em que subia um pouco, depois do debate, e pode atrapalhar as sabatinas da juíza indicada por ele

Por Vilma Gryzinski - Atualizado em 3 out 2020, 15h26 - Publicado em 3 out 2020, 15h19

O vírus se alastra. A expressão normalmente é usada em sentido metafórico, mas no caso de Donald Trump tem também um significado literal.

A menos de trinta dias da eleição presidencial, grassam as incertezas sobre as consequências da propagação da Covid-19 entre políticos que tiveram contato com Trump e o próprio estado de saúde dele, suficientemente preocupante para levar à sua hospitalização.

Qual político na face da Terra gosta de passar a imagem de doente? E ainda mais faltando tão pouco para uma eleição pela qual ele teria que brigar até o último suspiro – esse, apenas simbólico.

Se não houvesse risco, Trump teria continuado na Casa Branca, junto com Melania, para a qual não foi invocada a “abundância de precaução” que levou o presidente ao avançadíssimo hospital militar, o Walter Reed – homenagem ao médico do Exército que descobriu a relação entre a febre amarela e os mosquitos que a transmitem.

Como no Brasil, o mosquito de origem africana era uma praga em cidades como Filadélfia e Washington.

George Washington, que ainda não havia nomeado a capital americana, teve que fugir de uma das epidemias de “febre americana”, como era conhecida.

A nova epidemia é uma espécie de febre americana multiplicada por mil.

A contaminação de Trump pode levá-lo a uma derrota mais categórica ainda do que a antecipada pelas pesquisas ou abre caminho a uma espetacular virada de última hora?

Os dois debates ainda no programa serão realizados?

Os democratas conseguirão sabotar a sabatina e – no caso de derrota do presidente – a própria indicação da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte?

A primeira tentativa já foi feita, com senadores democratas indicando que a juíza deveria entrar em isolamento por ter tido contado com Trump.

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Ela retrucou, através de terceiros, que já teve a Covid-19.

Foi feita nova tentativa: como dois senadores republicanos da Comissão de Justiça foram contagiados, a sabatina deveria ser adiada.

A essa altura, o valor de Amy Coney Barrett como trunfo eleitoral foi amplamente superado pelo clima de alta instabilidade provocando pela doença do presidente.

As duas narrativas possíveis ainda estão se defrontando.

A primeira: a Covid-19 sela de vez a tentativa de reeleição de um presidente que nunca deveria ter sido eleito e vai direto para a lata de lixo da história, tendo um melancólico e cármico final, derrubado pela doença que tentou minimizar.

“Num momento que parece bíblico, o implacável vírus bate à sua porta”, escreveu Maureen Dowd no New York Times, resumindo o espírito triunfalista dos antitrumpistas, com a ressalva que achou “vulgares” os memes comemorativos.

A segunda narrativa: sozinho, contra tudo e contra todos, e até contra a mão implacável do destino que colocou o coronavírus em seu caminho, Trump toca o coração de seus partidários que já estavam resolvendo nem sair de casa, diante da vitória iminente de Biden, e ainda leva parte dos que estavam em cima do muro. Abracadabra, a magia se repete.

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“Um presidente americano sofrendo uma doença potencialmente fatal gera simpatia entre as pessoas decentes”, uma expressão de desejo manifestada por Rob Crisell no Americano Spectator.

“Se a doença mostrar Trump como um ser vulnerável, ele perde seu valor como bicho papão, uma assustadora e demoníaca criatura usada para separar Trump de sua base e empurrar os indecisos para Biden.”

Parece exagero demais, mas uma pesquisa do Investor’s Business Daily mostrou que, depois do debate e antes do anúncio da doença, a diferença entre Trump e Biden havia diminuído para a margem de erro: 48,6% a 45,9%.

Nada menos que 19% dos pesquisados disseram que mudaram de opinião: 9% passaram a preferir Biden e 11% penderam para Trump.

Quem vai conseguir dormir em Washington até 3 de novembro?

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