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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

STJ afasta nuvens e garante tempo bom para a família Bolsonaro

Senador Flávio nunca respondeu o mérito do processo sobre as rachadinhas, mas tem chance de enterrar de vez a investigação

Por Matheus Leitão Atualizado em 23 fev 2021, 19h54 - Publicado em 23 fev 2021, 19h52

Uma das maiores pedras no sapato do presidente Jair Bolsonaro em busca da reeleição é o rolo do filho 01, Flávio Bolsonaro, com as rachadinhas. Uma coisa era o processo inicial que corria em 2018, numa eleição polarizada. Outra coisa é o que mostraram as investigações ao longo dos últimos dois anos, quando ficou comprovada a gravidade dos fatos ocorridos no gabinete do então deputado estadual, sob a batuta de Fabrício Queiroz.

Pois bem. Nesta terça-feira, 23, vai ter comemoração no Palácio do Alvorada – até porque o tema reeleição é uma obsessão para o presidente. É que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) atendeu ao pedido da defesa de Flávio, e anulou as decisões que autorizaram as quebras de sigilo contra o senador no esquema ocorrido Assembleia Legislativa do Rio. Ou, suposto esquema.

A decisão do Superior Tribunal de Justiça, imposta especialmente após o voto do ministro João Otávio de Noronha, eterno candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), arranca a raiz do caso, e pode soterrar de vez o fantasma da rachadinha e das suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.

Óbvio que, no frigir dos ovos, ainda há espaço para recursos, e até da reversão da decisão de hoje. Mas elas estão rareando cada vez mais. É uma decisão que vai enterrando de vez o trabalho firme e sério do juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, que conduziu as investigações enquanto o inquérito correu na primeira instância.

Também comprova o que já discutimos neste espaço em outra ocasião. Flávio Bolsonaro nunca quis discutir o mérito da questão, mas melar o jogo, apostando toda sua estratégia de defesa trancar ou atrasar o processo, em vez de apresentar argumentos para se defender.  

As provas ali estão empilhadas, uma constelação de saques e depósitos em contas bancárias, inclusive na conta do próprio senador. Sua mulher fez pagamentos em dinheiro vivo. Isso sem contar o fato de que Fabricio Queiroz estava escondido na casa do advogado da família enquanto o político dizia não saber o paradeiro do ex-assessor.  

Mas o STJ disse, resumidamente, que há problemas na forma na qual elas foram obtidas. É a opinião da maioria da Quinta Turma do STJ. Se prevalecer essa ideia, Flávio Bolsonaro sairá sem punição do caso. E o pai vai estufar o peito para dizer que corrupção não é com ele. Brasília é a prova viva que política é como nuvem, cada hora está de um jeito. Hoje, clareou o tempo para a família Bolsonaro.

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