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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Cloroquina liberada a jato, vacina chinesa jamais

Presidente apoia uso de medicamento, mas se recusa a aceitar vacina. Se imunizante tiver sucesso em outros países, ele será responsabilizado 

Por Matheus Leitão Atualizado em 23 out 2020, 13h34 - Publicado em 23 out 2020, 13h14

Dois pesos e duas medidas. É assim que o presidente Jair Bolsonaro quer tratar a pandemia do coronavírus no Brasil. Enquanto insiste em “vender” a cloroquina como o remédio que cura a Covid-19, o presidente leva sua insensata guerra ideológica para a escolha da vacina que será disponibilizada aos brasileiros.

Como a coluna comentou nesta quarta, 21, Bolsonaro travou uma briga para impedir que a vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e testada no Brasil pelo Instituto Butantan, seja comprada. O presidente desautorizou o Ministério da Saúde e afirmou que a vacina não será adquirida pelo governo.

  • Em uma postura totalmente diferente, Bolsonaro demitiu dois ministros até encontrar um líder para o Ministério da Saúde que apoiasse sua ideia de regularizar o uso da cloroquina no tratamento do coronavírus.

    Depois da saída de Luiz Henrique Mandetta e de Nelson Teich do cargo por desavenças com o presidente, o general Eduardo Pazuello assumiu a pasta em maio e, poucos dias depois, o Ministério da Saúde divulgou protocolo liberando o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com a Covid-19, que apresentem sintomas moderados. Até então, a medicação só era usada em casos graves da doença.

    O mesmo rigor que Bolsonaro mostra ao exigir autorização dos órgãos de saúde para liberar as vacinas aos brasileiros não foi visto no caso da cloroquina. Estudos científicos ainda não foram capazes de comprovar a eficácia do medicamento para tratar o vírus e vários países resistem a liberar o uso em sua população.

    Os brasileiros lutam nas filas dos hospitais e perdem parentes em meio à maior pandemia dos últimos tempos. Quase 156 mil pessoas já morreram no país. Mesmo diante dessa tragédia o presidente fica escolhendo critérios. 

    O que lhe interessa, ainda que a ciência não aprove, tem recursos e defesa pública. O que ele acha que o prejudicará politicamente, ele veta. Não duvidem se a vacina chinesa realmente ficar pelo caminho. Mas se o imunizante tiver sucesso em outros países, Bolsonaro será responsabilizado.

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