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Sai Sergio Moro, entra Roberto Jefferson

Demissão do ministro símbolo da Lava-Jato pode se dar na mesma semana em que Bolsonaro negocia com caciques do Centrão envolvidos em escândalos de corrupção

Por Da Redação 24 abr 2020, 12h05

Jair Bolsonaro decidiu trocar de amigos. E não é uma troca qualquer: saem os mocinhos do entorno do presidente, entram os vilões. Os mocinhos são o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e seu fiel escudeiro, o diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Valeixo, dois expoentes da Lava-Jato, a maior e mais barulhenta operação contra a corrupção já tocada no país.

Os vilões são velhos conhecidos da política brasileira e quase todos estiveram do lado errado das operações anticorrupção: os caciques do Centrão, o bloco político majoritário da Câmara que Bolsonaro tenta atrair para o seu governo.

O mais icônico deles é o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), condenado e preso no escândalo do Mensalão e que foi ressuscitado pelo bolsonarismo nas redes sociais após iniciar uma pregação intensa sobre um suposto golpe que estaria em andamento para derrubar Bolsonaro.

O presidente gostou tanto que até publicou post nas redes sociais com foto sua acompanhando a live no YouTube na qual Jefferson explanava a sua teoria. Não demorou para começar a circular rumores de que Jefferson estaria interessado na recriação do Ministério do Trabalho, pasta que o seu PTB comandou por anos. O ex-deputado negou, mas convém desconfiar de um político que apoiou e participou dos governos Collor, FHC, Lula e Temer.

Mas mesmo que isso não ocorra, Jefferson pode se tornar um novo amigo do governo por via indireta, com a aproximação do presidente e do Centrão, bloco parlamentar do qual o PTB faz parte.

Nesta semana, o presidente recebeu e gravou um vídeo amistoso com o deputado federal Arhur Lira (PP-AL), um dos líderes do Centrão, candidato a desbancar Rodrigo Maia (DEM-RJ) da presidência da Câmara e negociador de aliança do bloco com o governo. Seria estranho ele conviver com Moro, já que é réu na Lava-Jato acusado de integrar um esquema de pagamento de propina a políticos com dinheiro desviado da Petrobras.

O presidente Jair Bolsonaro e um dos líderes do Centrão, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), durante gravação de vídeo //Divulgação

Bolsonaro também vem negociando com Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente do partido e responsável pelo acordo que levou para a legenda os filhos do presidente Flávio e Carlos Bolsonaro, além da mãe deles, Rogéria Bolsonaro. Bispo da Igreja Universal, Pereira é investigado pela Lava Jato sob a suspeita de ter recebido propina dos grupos Odebrecht e JBS – neste último caso, há até áudio dele pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista.

  • Também negocia para se tornar companheiro de Bolsonaro o ex-deputado federal Valdemar da Costa Neto (PL), condenado e preso após ter sido um dos personagens centrais do escândalo do Mensalão. Ele teria recebido a promessa de controlar o Banco do Nordeste caso seu partido passe a integrar a base do governo.

    A troca de amizades é arriscada para o presidente. Além de ter sido eleito com a plataforma de combate à corrupção, boa parte do seu eleitorado também é entusiasta de Moro, tanto que ele é apontado como o melhor ministro do governo e, em alguns levantamentos, tem avaliação positiva melhor que a do chefe.

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