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Querem derrubar Bolsonaro? A cada crise, uma nova teoria conspiratória

Presidente tenta emplacar diversionismos como forma de encobrir a sua responsabilidade em ações que desagradam a população, como na demissão de Mandetta

Por Redação - Atualizado em 17 abr 2020, 11h37 - Publicado em 17 abr 2020, 11h33

O presidente Jair Bolsonaro consolidou uma estratégia diversionista para se eximir de responsabilidades em meio às sucessivas crises que marcam o seu mandato no Palácio do Planalto. A cada nova adversidade que se impõe, Bolsonaro vai à imprensa e lança uma teoria conspiratória para desviar o foco de questões importantes. O modus operandi pôde ser visto mais uma vez após a demissão de Luiz Henrique Mandetta do ministério da Saúde. O ataque foi direcionado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que na cabeça de Bolsonaro está trabalhando para tirá-lo do cargo. Relembre abaixo outras teorias conspiratórias que foram criadas por Bolsonaro em momentos de dificuldade para o seu governo:

Um país ingovernável: Bolsonaro estava prestes a completar cinco meses de governo quando lançou pela primeira vez a teoria de que políticos que fazem “conchavos” nos bastidores queriam tirá-lo do poder. Ele compartilhou em grupos de WhatsApp um texto que definia o Brasil como um país “ingovernável”. O diversionismo foi usado em meio a uma série de derrotas sofridas pelo presidente no Legislativo. Na época, Bolsonaro enfrentava dificuldades até para aprovar a Medida Provisória que reformulou a Esplanada dos Ministérios.

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Leonardo DiCaprio na Amazônia: Em meio aos incêndios que atingiram a Floresta Amazônica e chamaram atenção internacional para o descaso de Bolsonaro com o meio-ambiente, o presidente disparou “cortinas de fumaça” dizendo que ONGs estavam provocando intencionalmente a destruição do ecossistema porque haviam perdido dinheiro. Na teoria da conspiração inventada por Bolsonaro, em novembro do ano passado, o ator Leonardo DiCaprio financiava entidades que contribuíam para propagar queimadas na região.

Cubanos guerrilheiros: Em meio aos embates com o ministro da Justiça, Sergio Moro, por conta de trocas nas chefias da Polícia Federal, Bolsonaro espalhou a mentira de que o PT havia criado o programa Mais Médicos para fundar células com guerrilheiros cubanos no interior do país. “Precisa ter prova disso daí? Você acha que está escrito isso aí em algum lugar?”, disse o presidente, na ocasião.

Urnas fraudadas: Sem apresentas provas, Bolsonaro aproveitou um evento com apoiadores na cidade de Miami, nos Estados Unidos, para dizer que a eleição de 2018 havia sido manipulada. No dia 9 de março, ele afirmou ter provas de que foi eleito no primeiro turno, mas nunca mostrou nenhum indício que corroborasse essa versão. Posteriormente, Bolsonaro foi desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A intenção do presidente era criar mais um diversionismo num momento desfavorável para seu governo, em que o Congresso discutia a regulamentação do orçamento impositivo.

Plano secreto de Maia: A última teoria de Bolsonaro foi revelada nesta sexta-feira, 17, pelo jornal Folha de S.Paulo. O presidente tem dito a políticos que descobriu um plano secreto para tirá-lo do poder e que foi orquestrado por Maia, pelo governador paulista João Doria (PSDB) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A história, que não apresenta fundamentação nenhuma, surge após Bolsonaro enfrentar uma série de panelaços em protesto à demissão de Mandetta do Ministério da Saúde e ao agravamento da crise do coronavírus no Brasil.

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