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Quem é o ‘médico coach’ que foi preso no Egito por assédio sexual

Autor de livro, curso e 'palestrante internacional', Sorrentino ganhou protagonismo ao defender a tese bolsonarista do uso de cloroquina contra a Covid-19

Por Da redação Atualizado em 31 Maio 2021, 15h36 - Publicado em 31 Maio 2021, 12h31

O médico gaúcho Victor Sorrentino fez sucesso no Brasil como autor de livros e cursos de coach para quem deseja ter uma vida mais saudável física e mentalmente, segundo a sua propaganda. Nos últimos meses, ganhou ainda mais protagonismo ao se juntar ao grupo de médicos que fazem a defesa enfática do uso do chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19, bandeira que é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo bolsonarismo desde o início da pandemia — a terapia consiste no uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, como hidroxicloroquina e ivermectina.

A fama de Sorrentino nas redes sociais, no entanto, lhe trouxe problemas neste último fim de semana. Em perfil no Instagram, que tem quase 1 milhão de seguidores, ele publicou um vídeo fazendo o que considerou uma “piada”, fazendo trocadilhos de cunho sexual com uma mulher muçulmana no Egito que tentava lhe vender um papiro — artigo de madeira utilizado para escritos na era antiga do país. O médico pergunta a ela em português: “Vocês gostam mesmo é do bem duro, né?”. E reafirma “e comprido também fica legal, né?”. A vendedora, que não entende a língua, acaba respondendo “sim” em meio a risadas dele e dos amigos.

O vídeo viralizou no Egito e acabou levando o médico a ser detido no país para prestar esclarecimentos. Neste domingo, dia 30, o Ministério do Interior egípcio informou que prendeu um estrangeiro (não divulgou o nome) após “assédio a uma mulher, depois que ele publicou um vídeo com imagens do incidente em uma rede social onde os serviços de segurança conseguiram identificar a vítima e o autor”.

Bolsonarista

No último mês, antes de viajar ao Egito, Sorrentino deu entrevistas a blogs bolsonaristas acusando a “indústria farmacêutica” e a “mídia” de fazer “jogo sujo” contra o uso de remédios como cloroquina, azitromicina, zinco e outros, que fazem parte do combo do “tratamento precoce”. No início do ano passado, esses remédios chegaram a ser apontados como promissores no tratamento da Covid-19, mas depois passaram a ser descartados pela comunidade científica e agências de vigilância de saúde no mundo afora.

“A pessoa que não usa a medicação por viés ideológico ou mesmo o médico que não prescreve, essa pessoa vai agravar, vai ocupar o leito do CTI, é por causa desta atitude que nós temos que ficar parados e fechados em casa, trazendo o vírus para dentro de casa e facilitando a transmissibilidade”, disse ele em entrevista ao blog bolsonarista Terça Livre.

As declarações dele e de outros médicos defensores da cloroquina encontram eco nas teses conspiracionistas defendidas por Bolsonaro e seus seguidores de que a indústria farmacêutica é contra o “tratamento precoce’ porque os remédios não têm patente — e, por isso, são de baixo custo.

Pós-graduado em nutrologia e credenciado pelo Instituto Brasileiro de Coach, o médico se divulga como “palestrante internacional”. Em seu site, ele oferece um curso por assinatura para ensinar de “maneira 100% eficaz” como prevenir depressão, calvície, impotência, insônia, além de melhorar a memória e fortalecer a imunidade, entre outras propostas.

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