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Deputado do Novo coleta assinaturas para CPMI contra o governo Bolsonaro

Tiago Mitraud (MG) quer apurar se a Abin e o GSI foram usados para auxiliar Flávio Bolsonaro na investigação sobre esquema de rachadinha na Assembleia do RJ

Por Da Redação Atualizado em 12 fev 2021, 13h48 - Publicado em 12 fev 2021, 13h34

O deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG)  irá pedir uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é investigar se a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) defenderam os “interesses privados da família do presidente” no caso da investigação sobre o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos -RJ) em um esquema de rachadinha (desvio de salário de servidores no gabinete quando ele era deputado estadual no Rio).

“Desde o ano passado, temos atuado para esclarecer a denúncia de atuação do GSI e da Abin na defesa de interesses privados da família do presidente. Como as respostas têm sido insatisfatórias, decidimos protocolar um pedido de abertura de CPMI pra investigarmos o caso”, escreveu Mitraud. “Diante dos indícios de irregularidades e das respostas evasivas do governo em caso de tamanha gravidade, decidimos seguir com a investigação por meio de uma CPMI, que permite, dentre outros instrumentos, a convocação de testemunhas. Trabalharemos agora para coletar as assinaturas”, acrescentou.

Segundo o deputado, pedidos de informação foram encaminhados ao GSI e à Receita Federal depois de advogadas de Flávio Bolsonaro afirmarem que se reuniram com o órgãos do governo antes de estruturarem uma defesa e que receberam sugestões dos profissionais da agência de inteligência. “A Receita confirmou que recebeu duas petições da defesa que deram origem a processos administrativos internos para a apuração de eventual perseguição a Flávio. O GSI limitou-se a replicar o teor de uma nota à imprensa. Submetemos então outro RIC (requerimento) sobre possíveis relatórios produzidos pela Abin. O GSI confirmou então que teve um encontro informal com a defesa de Flávio (o que é grave), mas alegou que os relatórios não são institucionais da Abin. Não responderam se pretendem investigar e responsabilizar funcionários que possam ter elaborado esses relatórios”, afirmou o deputado.

O Novo costuma votar a favor da grande maioria das proposta de Jair Bolsonaro na Câmara — segundo a plataforma Radar do Congresso, do site Congresso em Foco, o índice de apoio aos projetos do Executivo é de 92%. Mas a legenda tem se mostrado dividida em relação a um possível pedido de impeachment do presidente — a cúpula do partido, entre eles João Amoêdo, candidato a presidente da República em 2018, é a favor, enquanto outras lideranças, como Marcel van Hattem (RS), que foi candidato a presidente da Câmara, e o líder da bancada, Paulo Ganime (RJ), são contra.

Durante a campanha na Câmara, Hattem, no entanto, fez uma ressalva em relação ao envolvimento de órgãos do governo no auxílio a Flávio Bolsonaro e enfatizou que “nos preocupa muito uma série de indícios de irregularidades como, por exemplo, o uso da Abin para fins pessoais pelo presidente da República e seu filho, e que já protocolamos requerimentos de informação a respeito cumprindo com o nosso papel de fiscalização”.

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