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Bolsonaristas promovem ‘ato solene’ contra a vacinação na Assembleia de SP

Deputados como Gil Diniz, Douglas Garcia e Janaina Paschoal apoiam evento com pessoas contrárias ao passaporte da vacina e defensores do tratamento precoce

Por Da Redação Atualizado em 27 set 2021, 13h38 - Publicado em 27 set 2021, 13h37

Um grupo de deputados aliados do presidente Jair Bolsonaro protagonizou nesta segunda-feira, 27, na Assembleia Legislativa de São Paulo um ato solene contra o passaporte da vacina da Covid-19, documento exigido para permitir a entrada de pessoas em determinados locais públicos ou privados. O evento também serviu para discursos desacreditando a eficácia dos imunizantes.

O deputado estadual Douglas Garcia (PTB), apoiador de Bolsonaro, conduziu o chamado “ato solene”. Participaram do evento a deputada federal Chris Tonietto (PSL-RJ) e os deputados estaduais Gil Diniz (sem partido) e Márcio Gualberto (PSL), ambos bolsonaristas. Outros parlamentares da Alesp divulgaram o evento, como Janaína Paschoal, que está deixando o PSL.

O primeiro a expor as suas ideias contra a vacina foi o virologista Paolo Marinho Zanotto, que já foi apontado pela CPI da Pandemia como um dos integrantes do chamado gabinete paralelo, um agrupamento de especialistas que aconselhavam Bolsonaro durante a crise sanitária. Ele citou o caráter “experimental” dos imunizantes contra a Covid-19 e considerou a exigência de vacina uma “eliminação completa da nossa capacidade de autonomia”.

O virologista disse ser a favor das vacinas em geral, mas levantou questionamentos sobre os imunizantes contra a Covid-19. “Eu acho meio inconcebível o que a gente está vendo hoje, de obrigar pessoas a participarem desse processo. É importante se vacinar? Sim. Vacinas tiveram um sucesso enorme na humanidade”, afirmou. “Por outro lado, é importante a gente perceber que vacinas podem causar problemas”, continuou.

A médica Marília Emília Gadelha Serra, que viralizou nas redes sociais após divulgar informações enganosas sobre vacinas e a Covid-19, também foi convidada para o evento. Em julho, ela chegou a entregar a Bolsonaro um documento de quinze páginas sobre os “riscos” das vacinas. Em postagens, ela diz que a maioria dos casos graves da doença no Brasil, Inglaterra e Israel ocorre em pessoas imunizadas e, assim como Zanotto, defendeu que as vacinas contra o coronavírus são experimentais, mesmo elas sendo aprovadas pela Anvisa e tendo a eficácia comprovada.

No evento, a médica ainda defendeu o tratamento precoce e levantou dúvidas sobre o trabalho da Anvisa. Marília Emília também disse que a exigência de vacinação não se trata de um assunto de saúde, mas de “controle social” e era mais uma questão de “negócios”, já que, de acordo com ela, há formas de tratar a doença com medicamentos. No entanto, não existe nenhum remédio com eficácia comprovada contra Covid-19.

Outra figura a participar do ato solene foi o professor especialista em bioética e coordenador nacional do Movimento Legislação e Vida, Hermes Rodrigues Nery, que teve o seu canal no YouTube retirado do ar após três avisos de violação das políticas de segurança da plataforma. Os motivos da suspensão foram informações médicas incorretas, como questionamentos aos efeitos das vacinas, e críticas à implementação do passaporte sanitário, que segundo ele “pavimenta o totalitarismo”.

Já o promotor do Ministério Público do Paraná Vitor Hugo Nicastro Honesko defendeu que o passaporte sanitário é inconstitucional. Maurício dos Santos Pereira especialista da área de direito e presidente da União dos Advogados do Brasil, falou sobre os “riscos” e reações das vacinas contra a Covid-19 sem apresentar evidências.

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