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Letra de Médico Por Adriana Dias Lopes Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Quais são as suas escolhas agora para conseguir viver além dos 100 anos?

Em pouco tempo, nossa expectativa de vida aumentou muito e nossos genes já interpretam isso

Por Marcelo Bendhack - Atualizado em 23 set 2020, 20h06 - Publicado em 23 set 2020, 15h43

Para compreender a formação dos seres vivos, Aristóteles (384-322 a.C.) desenvolveu o modelo da Epigênesis (ἐπιγένησις). Da matéria amorfa se formam as estruturas específicas de um ser vivo. E um ingrediente importante, o meio ambiente, tem papel central.

Apesar das evidências claras, ainda precisamos conhecer todas as possibilidades que a epigenética pode nos oferecer. O que impressiona é a base que já temos (Aristóteles!) e a junção disso com a evolução da ciência. Certamente, esse arcabouço de conhecimentos, de experiências e da medicina baseada em evidências nos levará a compreender melhor cada indivíduo e a relação com a sua saúde, física, psicológica, mental, espiritual.

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A cada nova descoberta científica, por excelência da biologia e da medicina, a epigenética vai aos poucos nos ensinando que os genes humanos são capazes de responder à ação de fatores externos. Por exemplo, adaptando sua regulação, o que também pode significar uma adaptação do organismo.

Os fatores externos, o meio ambiente e nossas ações comportamentais influenciam nossos genes. Podemos incluir na lista desde alimentos, clima, estresse, raios UV, bactérias, toxinas, vírus, produtos químicos, até outras substâncias que consumimos naturalmente, como os medicamentos.

Neste contexto, um dos principais fatores a se destacar é o estresse, acompanhado da qualidade de vida. Às vezes, nós nos dedicamos, cotidianamente, a maltratar nosso corpo, mesmo que de forma inconsciente. Ou não, conscientemente, cuidamos bem da nossa alimentação, praticamos atividade física, conseguimos seguir a lida diária com o mínimo de estresse.

No entanto, precisamos compreender que tudo isso vai além do tempo de vida que pretendemos ter. Há muitos fatores que determinarão o quanto iremos viver. O certo é que a resultante que almejamos é o envelhecimento, e sempre visualizando plena saúde. Claro que essa resultante dependerá também das nossas escolhas, que fazem parte do arsenal que “guardamos” ao longo da vida, em nossos organismos e genes.

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A epigenética é um campo de ciência que vai nos ajudar a explorar essas conexões entre influências ambientais e regulação de genes, como meio de prevenir e combater doenças. Não vamos eliminar por completo as mortes por doenças cardiovasculares e/ou por câncer. O que podemos fazer é olhar microscopicamente, e de forma antecipada, nosso estágio de vida cronológica e biológica.

Isso permitirá apontar diagnósticos, prescrever medicamentos personalizados, para apoiar e ajudar qualquer paciente de forma individual e medir, comparativamente, amostras de tumores e amostras de indivíduos idosos com genética alterada.

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Em pouco tempo, nossa expectativa de vida aumentou muito. Se olharmos para trás – e nem faz tanto tempo assim – vivíamos 30, 40, 60 anos. Hoje, muitos gozam de plena saúde aos 80 anos. Não será novidade se chegarmos aos 120 anos em poucas décadas.

A conclusão que se chega é que viver mais tempo será possível. Mas a pergunta que se deve fazer é por que você quer chegar aos 120 anos? E qual a qualidade de vida que você se propõe a ter hoje? Quais são as suas escolhas agora? E o que você vai fazer com esse tempo “extra”? Porque certa e sabiamente nossos genes já sabem interpretar tudo isso.

Letra de Médico - Marcelo Bendhack
./Divulgação

 

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