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Invasão alienígena rende um thriller musculoso em “A Rebelião”

John Goodman – para variar – brilha no filme dirigido por Rupert Wyatt, de “Planeta dos Macacos: A Origem”

Sou doida por filme de invasão alienígena (mais até do que por filme de apocalipse zumbi), e este aqui merecia um título um pouquinho mais bem pensado do que algo tão genérico quanto A Rebelião: o título original, Captive State, ou “Estado Cativo”, vai bem mais ao ponto das inquietações do diretor e corroteirista Rupert Wyatt, de Planeta dos Macacos: A Origem. Na sequência de abertura, um policial de Chicago tenta fugir com a família para fora das barreiras de tráfego determinadas pelos novos donos do planeta, e a coisa não acaba bem, para dizer o mínimo. Dez anos depois, sabe-se o que aconteceu com os dois meninos que iam no banco de trás do carro. Um se tornou herói da resistência e foi morto, e o outro é agora um rapaz que se vira de tudo quanto é jeito: o maior sonho de Gabe (Ashton Sanders) é arrumar um barco e escapar com a namorada pelo Lago Michigan, onde não há controle de circulação. Ele não faz ideia do que existe do lado de lá, mas não pode ser muito pior do que do lado de cá: uma socialização da pobreza, da feiúra e da falta de perspectiva (a nova espécie dominante não é boba, e não tem o menor interesse em erradicar os terráqueos; quer todos trabalhando para ela), exercida por meio de rígido controle policial e vigilância. Uma das coisas que mais revoltam Gabe, aliás, é a maneira como William Mulligan (o maravilhoso, único e irresistível John Goodman), o velho parceiro de seu pai e agora subchefe de polícia, leva a ferro e fogo sua incumbência de manter a ordem e perseguir qualquer pista que seja de subversão.

A Rebelião

 (Diamond/Divulgação)

Sob o pretexto preferido de dez entre dez tiranos – o de que as pessoas não sabem o que é bom para elas, mas eles sim, sabem –, os alienígenas se autodesignaram os novos legisladores. Nunca são vistos (Wyatt é esperto, e usa poucos efeitos para usá-los quando vai fazer diferença), vivem nos subterrâneos, de onde exploram diretamente os recursos do planeta, e fazem sabe-se lá o quê o dia todo. Os únicos cidadãos humanos que têm algum contato esporádico com eles são os comissários de polícia, por serem os responsáveis primeiros pela repressão à insurgência. Esta, para todos os efeitos, está morta e acabada. Só que não. E, claro, de alguma forma ela vai chegar até Gabe, e colocar Gabe na mira do honrado porém equivocado (será?) Mulligan.

A Rebelião

 (Diamond/Divulgação)

A Rebelião nem sempre é muito original, mas é musculoso e tem os parafusos bem apertados (a trilha percussiva e inquietante de Rob Simonsen faz maravilhas pela atmosfera do filme, aliás). Mais ou menos como o Planeta dos Macacos que Rupert Wyatt dirigiu: sem o brilho dos dois seguintes, dirigidos por Matt Reeves, mas sólido e funcional. E, de certa forma, é oportuno que ele tenha entrado nos cinemas ao mesmo tempo que Nós. Assim como Jordan Peele, Wyatt anda preocupado com os Estados Unidos e o mundo. E não é para menos.


Trailer

A REBELIÃO
(Captive State)
Estados Unidos, 2019
Direção: Rupert Wyatt
Com John Goodman, Ashton Sanders, Vera Farmiga, James Ransone, Jonathan Majors, Kevin Dunn, Alan Ruck, Ben Daniels
Distribuição: Diamond
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