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Como Cuba consegue ter uma baixa mortalidade infantil?

A explicação está nas cirurgias de aborto, que na ilha é uma política de Estado

Por Duda Teixeira Atualizado em 28 set 2018, 16h06 - Publicado em 3 ago 2016, 11h39

A ditadura cubana se orgulha de ter uma baixa taxa de mortalidade infantil. Em Cuba ela é de 4 óbitos para cada 1000 nascimentos. No Brasil, são 15 em 1000.

A explicação está nas cirurgias de aborto, que na ilha é uma política de Estado. O procedimento, que já tinha sido descriminalizado em 1936, foi legalizado em 1965 após a Revolução. Com o tempo, tornou-se essencial para a estratégia da ditadura de propagandear sua medicina.

Os médicos são orientados a realizar abortos assim que surge qualquer anomalia na gravidez ou risco de malformação do feto. Se, apesar disso, a criança morrer logo depois de nascer ou a mãe não sobreviver, o diretor do hospital e os doutores são questionados pelas autoridades. Eles são investigados pelo Ministério da Saúde e podem ser condenados por má conduta.

Geralmente, é feita uma curetagem. Em outros casos, usa-se um aspirador sem anestesia ou se receita Rivanol. Nas fichas médicas, o aborto ganha outro nome: “regulação do ciclo menstrual“.

  • Em 1997, um estudo feito pelo doutor Oscar Elías Biscet pesquisou 1783 abortos realizados no hospital Hijas de Galicia ao longo de dez meses. Entre as mulheres que se submeteram ao procedimento:

    – 78% rejeitaram a gravidez desde o começo. Em Cuba, muitos jovens são pobres e não têm condições de ter uma casa maior. Eles não têm esperança no futuro e simplesmente preferem não ter filhos.

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    – 22% desistiram depois, ao serem informadas de que havia risco de malformação do feto ou que a gravidez poderia ter problemas. É para essas pacientes que a política estatal pró-aborto tem maior impacto.

    As estatísticas são impressionantes. Cerca de 76% das adolescentes grávidas que chegam aos hospitais alegam já ter realizado aborto alguma vez.

    A consequência disso é a redução do número de nascimentos. Eram 250 000 em 1960 e passaram para 150 000 nos anos 1990.

    Segundo uma notícia publicada no jornal oficial Granma em março de 2016, com dados da Universidade de Havana, a taxa de fertilidade para cada mulher cubana é menor que 1. Para que uma população permaneça estável, o ideal é 2,1 filhos por mulher.

    Pelas estimativas oficiais, os abortos já impediram que 4 milhões de pessoas nascessem. Detalhe: a ilha tem uma população em torno de 11 milhões. Daqui a cinquenta anos, acredita-se que a população terá encolhido em um terço.

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