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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Antirrábica para dois

Bolsonaro e Doria precisam ser vacinados contra a raiva eleitoral

Por Dora Kramer Atualizado em 18 nov 2020, 19h47 - Publicado em 21 out 2020, 12h19

Na inútil, precipitada e nefasta disputa em torno da vacina contra a Covid-19, o presidente entrou com as armas habituais e o governador de São Paulo enveredou pelo terreno mais confortável ao adversário. A despeito da aparente vantagem de Jair Bolsonaro no campo da desinformação e incivilidade diante de João Doria, ambos podem sair perdendo no final naquilo que os mobiliza: a política eleitoral.

Brigam por uma vacina que não existe, suscitando resistências que poderiam ser evitadas. De um lado, Doria ao insistir no aspecto da obrigatoriedade provoca rejeição daqueles que veem nisso uma agressão à liberdade individual. De outro, Bolsonaro não recusar liminarmente a aplicação compulsória incentiva o menosprezo à recomendação científica pela imunização. 

No meio fica a população confusa e mal informada. A disputa entre o presidente e o governador evidenciará toda a sua inutilidade quando surgir uma ou mais vacinas de comprovada eficácia. Com as pesquisas indicando um apoio superior a 80% à vacinação é de se ver quem terá coragem de proibir a aplicação ou fazer campanha para essa ou aquela tábua de salvação. Seja ela chinesa, russa, inglesa ou venha de onde vier.

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